Maia nega ter defendido voto impresso e chama Bolsonaro de 'populista'
Ex-presidente da Câmara, o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ) negou hoje as acusações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que durante sua live semanal disse que o parlamentar defendeu a adoção de um "voto impresso auditável" — isto é, a impressão de um comprovante após a votação na urna eletrônica — e agora não defende mais.
Maia ainda chamou Bolsonaro de "populista" e acusou o presidente de "defender uma ditadura".
"Agora o presidente Bolsonaro disse na live que eu mudei de lado na defesa do voto democrático. Foi não, presidente. Eu nunca mudei de lado. Aliás, eu nasci no exílio, porque nós sabemos bem o que é ditadura. Meu pai foi preso, torturado, exilado. Nós defendemos a democracia", disse o deputado em vídeo publicado nas redes sociais.
"É assim que os populistas trabalham: questionando a democracia representativa e o Estado Democrático de Direito, defendendo uma 'democracia direta'... Que nada mais é do que uma ditadura, que é isso que o senhor defende", acrescentou.
O senhor é um populista. Como todo populista, ganha as eleições (...) pelo voto democrático e depois, por dentro do sistema, questiona as instituições democráticas, como vem fazendo desde 2019 com as manifestações contra o Congresso e contra o Supremo [Tribunal Federal] e suas ameaças permanentes, inclusive de seu ministro da Defesa [Braga Netto].
Rodrigo Maia, deputado federal
Urnas são seguras
Apesar de questionadas por Bolsonaro, as urnas eletrônicas são auditáveis e testadas com regularidade sobre sua segurança. Já foi constatado que os dados principais são invioláveis e não podem ser infectados por vírus que roubem informações.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirma que não há indícios de fraude em eleições desde 1996, quando as urnas eletrônicas foram adotadas.
Adicionalmente, segundo a Constituição, qualquer alteração no processo eleitoral deve ser aprovada ao menos um ano antes da votação. Isso significa que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do "voto impresso auditável", apoiada por Bolsonaro, precisaria passar pelo Congresso até outubro deste ano para ser aplicada às eleições de 2022.
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