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'Tenso', Cid acompanha julgamento de casa à espera da tirar a tornozeleira

Do UOL, em Brasília

25/03/2025 14h49Atualizada em 25/03/2025 20h01

O delator Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, acompanha de sua casa, em Brasília, o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a tentativa de golpe de Estado. Segundo interlocutores, Cid estaria tenso, por isso não quis acompanhar presencialmente.

O que aconteceu

A Primeira Turma do STF começou a julgar nesta manhã a denúncia. Bolsonaro é o único dos denunciados que está presente no plenário do colegiado.

O UOL apurou com interlocutores que o delator acompanha "tenso" o desenrolar do caso. Ele assiste ao julgamento ao lado da esposa, enquanto aguarda para ter sua liberdade de volta. Como parte do acordo de colaboração premiada, ele está sujeito a uma pena de no máximo dois anos. No momento, está utilizando tornozeleira eletrônica e precisa cumprir medidas como recolhimento domiciliar noturno.

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Expectativa da defesa é que Cid deixe de utilizar tornozeleira no fim de maio. Nos cálculos da defesa do delator, após este período já estariam cumpridos os dois anos da pena prevista no acordo. Os benefícios estão condicionados à colaboração de Cid, que precisa contar tudo o que sabe sempre que foi requisitado pelas autoridades, sem mentir nem ocultar nada.

STF vai decidir ao final do julgamento se mantém os benefícios previstos no acordo. Eles são avaliados ao final do julgamento da ação penal, quando o Supremo vai avaliar se a colaboração foi efetiva e se é necessária alguma medida complementar para punir Cid.

Ao lado de Bolsonaro

Pela primeira vez, o advogado de Cid se encontrou com Bolsonaro. Os dois estavam na mesma fileira da sala da Primeira Turma do STF para acompanhar o julgamento. O ex-presidente cumprimentou todos os advogados ao chegar ao local, incluindo Cezar Bittencourt, que defende Cid e atuou em sua delação. O advogado disse que nunca havia se encontrado com Bolsonaro antes.

Para o defensor, ida de Bolsonaro ao julgamento 'não constrange ninguém'. Cezar Bittencourt afirmou, do lado de fora do STF, que a ida do ex-presidente é um direito dele. Ele disse ainda que seu cliente não quis comparecer hoje na sessão plenária do STF e preferiu assistir de casa.

Delação de Cid foi essencial para investigações sobre tentativa de golpe avançarem. Único colaborador nesta investigação, o ex-ajudante de ordens acompanhava de perto a rotina de Bolsonaro e trouxe à tona relatos e detalhes que permitiram às investigações avançarem sobre o ex-presidente e seus aliados. Mesmo sendo colaborador, ele foi denunciado.

É o direito que ele [Bolsonaro] tem, de assistir, acompanhar o advogado.
Cézar Bittencourt, advogado de Mauro Cid


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