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Em meio a chegada de vacinas, França e Espanha confirmam casos de variante do coronavírus

Vacina da Pfizer em laboratório de Cardiff, no País de Gales - JUSTIN TALLIS / various sources / AFP
Vacina da Pfizer em laboratório de Cardiff, no País de Gales Imagem: JUSTIN TALLIS / various sources / AFP

26/12/2020 10h34

Dizimada, parcialmente confinada e com medo da nova cepa do vírus que se propaga por vários países, a União Europeia (UE) recebeu neste sábado (26) as primeiras doses de suas vacinas contra o coronavírus, que já matou mais de 540.000 pessoas na região, e os Estados membros iniciarão as campanhas no domingo.

Ao mesmo tempo, o continente viu dois países anunciarem nas últimas 24 horas casos da nova variante do coronavírus. A França confirmou um caso, enquanto a Espanha anunciou quatro infectados.

As autoridades de saúde de Madri informaram que os casos estão vinculados a pessoas que chegaram recentemente do Reino Unido, afirmou Antonio Zapatero, vice-conselheiro de Saúde Pública da região de Madrid, em uma entrevista coletiva.

"A situação dos pacientes confirmados não é grave, sabemos que a cepa é mais transmissível, mas não provoca gravidade", disse.

"Não se deve tomar a notícia com nenhum tipo de nervosismo", completou Zapatero.

O país tem outros três casos suspeitos da variante, mas ainda aguarda os resultados dos exames.

Já na França, o ministério francês da Saúde divulgou na noite de ontem que um primeiro caso da mutação foi detectado no país. Trata-se de um cidadão que mora em Londres e veio passar as festas de fim ano com a família, em Tours, no centro-oeste da França.

Segundo o governo francês, outras amostras positivas do coronavírus estão sendo analisadas no momento e podem ser da nova variante. As autoridades sanitárias vêm trabalhando há vários dias com a possibilidade de que a nova linhagem já esteja em circulação no país.

A mutação do vírus, que segundo os especialistas é mais contagiosa, fez com que mais de 50 países, incluindo a Espanha, adotassem restrições de viagens com o Reino Unido.

Nova cepa se propaga

Depois de uma espécie de trégua de Natal em que os austríacos foram autorizados a esquiar, o país inicia neste sábado o terceiro confinamento.

O governo estabeleceu um toque de recolher até 24 de janeiro, com algumas flexibilizações a partir de 18 de janeiro para quem for submetido a um teste de antígenos. Novas restrições também entram em vigor neste sábado na Escócia e Irlanda do Norte.

Desde 20 de dezembro, os moradores de várias regiões da Inglaterra respeitam um confinamento para tentar frear uma nova variante do vírus, a princípio mais contagiosa, que acelerou as infecções. Neste sábado, 24 milhões de pessoas, ou seja 40% da população, deve permanecer em casa.

Após a confirmação da mutação do vírus, que só pode ser detectada se a sequência do genoma do vírus for analisada após um teste de PCR, muitos países fecharam as portas com o Reino Unido e alguns ainda mantêm as restrições em suas conexões aéreas, marítimas ou terrestres.

A situação provocou o caos nos sistemas de abastecimento e grandes engarrafamentos de caminhões nas fronteiras. Milhares de motoristas passaram o Natal bloqueados em seus veículos na área do porto inglês de Dover. Todos devem apresentar resultado negativo em um teste de covid-19 para entrar na Europa continental.

No momento, a Europa é a região do mundo com propagação mais rápida do vírus, com a média de 250.000 novos casos por dia na semana passada.

Vacina chega a países da União Europeia

Ao mesmo tempo que a nova variante do coronavírus atinge dois países, as tão aguardadas doses da vacina produzida pelos laboratórios Pfizer (EUA) e BioNTech (Alemanha) foram entregues em hospitais de vários países, como França, Espanha e Itália.

Como já aconteceu nos Estados Unidos, Reino Unido, Chile, Suíça, Costa Rica e México, as primeiras doses serão aplicadas em idosos e profissionais da saúde. Cada país estabelecerá suas prioridades.

As vacinas, um dos bens mais apreciados do momento em todo o planeta, chegam aos países em caminhões frigoríficos que partiram da fábrica da Pzifer em Puurs, nordeste da Bélgica, e são escoltadas pelas forças de segurança.

Na Espanha, um caminhão levou transportou um carregamento ao centro de armazenamento da Pfizer em Guadalajara.

As autoridades do país, que registrou mais de 50.000 mortes provocadas pelo novo coronavírus, esperam vacinar até junho do próximo ano entre 15 e 20 milhões de pessoas, de uma população de 47 milhões.

Na Itália, onde as vacinas chegaram na sexta-feira, a primeira vacinada será uma enfermeira de 29 anos em um hospital de Roma. Na região norte também será imunizada Annalisa Malara, a médica que identificou o paciente zero do país.

A Itália é a nação mais enlutada na Europa por esta pandemia, com 71.000 óbitos, mas de acordo com as pesquisas apenas 57% da população pretende ser vacinada.

Os cientistas calculam que imunidade coletiva será alcançada quando entre 75 e 80% da população estiver vacinada.

Na França, onde mais de 62.000 pessoas morreram vítimas da covid-19, as primeiras doses serão aplicadas em duas casas de repouso.

"Esta vacina é a chave que permitirá que retomemos as nossas vidas. Esta notícia deve nos animar", disse o ministro alemão da Saúde, Jens Spahn, neste sábado.

China fala em "extraordinário sucesso"

Em todo o mundo, a pandemia matou mais de 1,75 milhão de pessoas e provocou quase 80 milhões de contágios.

Na China, onde a pandemia teve início nos últimos dias de 2019, os dirigentes do Partido Comunista (PCC) celebraram neste sábado o que chamaram de êxito "extraordinário" no combate à covid-19, oficialmente erradicada em seu território, poucos dias antes da chegada ao país de uma missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) que tentará determinar as origens do coronavírus.

Na América Latina, a Bolívia anunciou uma aceleração do número de casos nas principais cidades.

O país registra desde março 153.000 contágios e pouco mais de 9.000 mortes por coronavírus. Nos últimos dias, a Bolívia contabilizou mais de 1.000 casos por dia.

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