Chegada da febre amarela à cidade de SP pode indicar continuação de epidemia, diz governo

Emanuel Bomfim*

  • Newton Menezes/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Vacinação contra febre amarela na UBS Horto Florestal, em São Paulo (SP)

    Vacinação contra febre amarela na UBS Horto Florestal, em São Paulo (SP)

O coordenador do CCD (Coordenadoria de Controle de Doenças) da Secretaria de Saúde do Estado de SP, Marcos Boulos, classifica a identificação de vírus da febre amarela em macaco morto no Horto Florestal como preocupante.

Era esperado. Nós achávamos que isso acontecer mesmo. Com a chegada do verão, que está próximo, existe a possibilidade de mais casos entre macacos

Marcos Boulos, infectologista

Na segunda-feira (24), a Secretaria anunciou ter encontrado mais quatro macacos mortos no mesmo parque, na zona Norte da cidade. Um animal já havia sido diagnosticado com o tipo silvestre da doença na sexta-feira passada, levando ao fechamento do horto. As autoridades ainda apuram se os outros macacos foram mortos pela febre.

Boulous diz, em entrevista, que a possibilidade de surto não está descartada. "Nós tivemos dois casos em humanos nessa última semana na região de Campinas, depois de alguns meses de silêncio. Pela primeira vez nas últimas décadas nós estamos com transmissão continuada".

Isso mostra que aquelas epidemias que ocorriam a cada sete anos, pelo jeito ela vai ficar aqui. Podemos ter caso todos os anos em regiões de mata

Marcos Boulos

A Prefeitura de São Paulo pretende vacinar 2,5 milhões de pessoas contra o vírus da febre amarela. A intensificação da imunização ocorrerá na zona Norte da capital, onde fica o Horto Florestal.  

O secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara, disse que a situação representa um alerta. "Isso (a morte do macaco) significa um alerta para que a gente programe uma ação de vacinação da população".

Ricardo Barros, ministro da Saúde, disse que as mortes de macacos por febre amarela em São Paulo indicam que um novo ciclo da doença está por vir. Há uma expectativa de que possa ocorrer fenômeno semelhante ao que ocorreu no Rio, quando houve uma corrida para vacinação mesmo em locais onde não era recomendada a vacina.

A corrida aos postos de saúde foi iniciada no sábado, quando começou a vacinação focada em moradores do interior do parque. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Horto e do Jardim Peri, 4,1 mil pessoas foram vacinadas no primeiro dia. Na segunda, a fila era de cerca de duas horas na UBS do Horto, com expectativa de imunização de 6 mil pessoas.

Devem tomar a vacina moradores de três bairros: Casa Verde, Cachoeirinha e Tremembé, vizinhos do Horto. Depois, a imunização será estendida a outros bairros da zona Norte. 

Há quatro postos oferecendo a vacina - número que deve passar para 57. A dose única está disponível também na rede privada, com o preço médio de R$ 162.

Newton Menezes/Futura Press/Estadão Conteúdo
Fila para vacinação contra febre amarela na UBS Jardim Peri, próximo ao Horto Florestal, na zona norte de São Paulo

Tire suas dúvidas sobre a febre amarela

Entre os sintomas da febre amarela estão calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza.

1. Como a febre amarela é transmitida?

Pela picada de mosquitos portadores do vírus de febre amarela. Em regiões de campo e floresta, o principal mosquito transmissor é o Haemagogus. O vírus também pode ser transmitido pelo Aedes aegypti, na forma urbana da doença. Casos de transmissão urbana, no entanto, não são registrados no País desde 1942.

2. A febre amarela é transmitida de pessoa para pessoa?

Não.

3. Qual é o papel de primatas na transmissão?

Primatas podem se contaminar com o vírus, exercendo também o papel de hospedeiros. Se picados, os animais transmitem o vírus para o mosquito, aumentando, assim, as chances de propagação da doença.

4. Quais sintomas provocados pela febre amarela?

A febre amarela é classificada como uma doença infecciosa grave. Ela provoca calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Os primeiros sintomas aparecem de 3 a 6 dias depois da infecção.

5. Como a doença evolui?

Para maior parte dos pacientes, os sintomas vão perdendo a intensidade a partir do 3º ou 4º dia da infecção. Em alguns casos, no entanto, a doença entra em sua fase considerada tóxica.

6. O que ocorre nos casos graves?

Cerca de 10% dos pacientes desenvolvem a forma grave da doença. Ela geralmente ocorre depois de um período breve de melhora dos primeiros sintomas da doença. A febre reaparece, há hemorragias, insuficiência hepática, insuficiência renal. Um dos sintomas é a coloração amarelada da pele e do branco dos olhos. Também não é incomum pacientes apresentarem vômito com sangue, um sintoma da hemorragia. Cerca de 50% dos pacientes que desenvolvem a forma grave da doença morrem num período entre 10 e 14 dias.

7. Qual é o tratamento para a doença?

Não há um tratamento específico para febre amarela. A medida mais eficaz é a vacinação, para evitar a contaminação da doença.

8. A vacina deve ser tomada por toda a população?

É recomendada para pessoas de áreas de risco em 19 Estados. De forma temporária, a recomendação foi estendida a cidades do Rio, Espírito Santo, São Paulo e Bahia. Na capital paulista, a dose está sendo recomendada para quem vive ou frequenta a zona Norte. A prioridade imediata é para quem vive na região do Horto Florestal.

9. Já sou vacinado. Preciso repetir a dose?

Não. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, estudos mostram que uma só aplicação é capaz de dar imunidade por toda a vida. O Brasil era o único país a adotar ainda o esquema vacinal em duas doses.

10. Quais são as reações possíveis à vacina?

Os efeitos colaterais graves são raros. Mas 5% da população pode desenvolver sintomas como febre, dor de cabeça e dor muscular de 5 a 10 dias. Não é frequente a ocorrência de reações no local da aplicação.

11. Quem tem maior risco de evento adverso relacionado à vacina da febre amarela?

Crianças menores de 6 meses, idosos, gestantes, imunodeprimidos, mulheres que estão amamentando e pessoas com alergia grave à proteína do ovo.

Governos municipal, estadual e federal anunciam vacinação

"Inicialmente, vamos fazer essa vacinação em círculos do local que foi encontrado o animal. Vão ser vacinadas 500 mil pessoas dos primeiros 500 metros ao redor do local e, em seguida, nós vamos ampliando esse círculo até completar toda a região norte, que seriam 2,5 milhões de pessoas", disse Wilson Pollara, secretário municipal da Saúde.

Já o governo do Estado anunciou só a meta de vacinar 1 milhão e não informou sobre a previsão de uma terceira fase de imunização. Para atender à demanda da vacinação, o Ministério da Saúde deverá enviar mais 1,5 milhão de doses para a cidade, anunciou o ministro Ricardo Barros.

*Com reportagem de Paula Felix, Priscila Mengue, Lígia Formenti e Priscila Mengue

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