Com treinamento, hospitais do SUS reduzem em 23% casos de infecção em UTIs

Paula Felix

São Paulo

Com medidas simples, hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) conseguiram reduzir em 23% as ocorrências de infecção hospitalar em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em apenas um ano. O resultado foi conquistado graças à ajuda do setor privado. Neste projeto, profissionais de 119 unidades da rede pública recebem treinamento em cinco hospitais particulares de referência no país.

Coordenadora de enfermagem da UTI São Lucas do Hospital Municipal Santa Isabel, em João Pessoa (PB), Sandra de Lourdes de Lima Santos da Luz, 48, conta que sua unidade contava com um núcleo de segurança do paciente e todos os profissionais trabalhavam para evitar a contaminação, mas a proposta do grupo de hospitais particulares trouxe uma revolução.

"Com pequenas coisas que nos ensinaram, a gente tem conseguido reduzir (casos de infecção), mesmo com todas as dificuldades. Não é cada um fazendo do seu jeito, agora temos práticas em conjunto."

Funcionária há 18 anos, ela diz que é a primeira vez que participa de um projeto dessa natureza. "A gente nunca teve um tutor nem especialistas como eles, que dão muita atenção e vêm ver de perto o que a gente está fazendo. O hospital ganha crédito dentro de uma sociedade que está desacreditada."

Na ponta

Os tutores são importantes hospitais brasileiros: a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o Hospital Sírio-Libanês, o Hospital do Coração (HCor) e o Hospital Moinhos de Vento.

Eles fizeram uma parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), projeto financiado com recursos de isenção fiscal. O trabalho, realizado em 25 estados, se concentra em diminuir três tipos de infecção: na corrente sanguínea, no trato urinário e a pneumonia associada à ventilação mecânica.

"O diferencial é a aprendizagem, como melhorar as UTIs com o recurso disponível. O projeto não tem a intenção de fazer reformas e obras. É para redesenhar o processo assistencial com recursos disponíveis", explica Cláudia Garcia de Barros, coordenadora-geral da iniciativa e diretora da área de qualidade e segurança do Albert Einstein.

Revisar o passo a passo desde o ato de lavar as mãos, passando pelo colocar sondas, e até o planejamento de compra dos dispositivos para uso nos pacientes são processos que fazem parte da iniciativa, envolvendo não só enfermeiros e médicos, mas integrantes da diretoria. "São projetos para melhoria em larga escala no Brasil."

A meta do projeto é mais ambiciosa do que a queda de ocorrências de infecção hospitalar já alcançada. A expectativa é de reduzir em 50% até 2020. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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