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Trazer médicos de Cuba não tem viés ideológico, diz Patriota

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

22/08/2013 11h49Atualizada em 23/08/2013 08h52

Durante audiência na Câmara dos Deputados, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, rejeitou na manhã desta quinta-feira (22) a ideia levantada por críticos ao programa do governo federal Mais Médicos de que haveria um fundamento ideológico em trazer médicos de Cuba para o país.

“A ideia é atrair o médico que tem condições de trabalhar no Brasil. Não tem viés ideológico nisso. Pelo contrário, há um viés humanitário”, afirmou o ministro.

Entenda a proposta do governo

  • Arte/UOLJ

    Governo Federal quer atrair médicos para as periferias e interior do país

Há décadas, o Brasil mantém boas relações comerciais e de cooperação com o país socialista.

Questionado sobre a ausência de obrigatoriedade do Revalida para os cubanos, o chanceler destacou a possibilidade de um entendimento para a  revalidação de diplomas de medicina com outros países, como ocorre entre Brasil e Portugal para equivalência no curso de arquitetura, por exemplo.

O ministro disse, ainda, que a cooperação com Cuba não implica em preconceito nem exclusão de acordos semelhantes com países da América do Sul, mas promover o “êxodo de médicos em locais que têm carência” não parece razoável.

Já em relação aos questionamentos sobre os valores que os médicos cubanos vão receber, Patriota afirmou não ter conhecimento da taxa administrativa cobrada pela Opas (braço da Organização Mundial da Saúde para as Américas) por intermediar a vinda de médicos cubanos.

Mas ele avaliou a participação da Opas como uma garantia de que a contratação irá respeitar as práticas trabalhistas utilizadas internacionalmente.

Os 4.000 médicos cubanos que vão trabalhar no país irão preencher as vagas que não foram selecionadas por brasileiros ou estrangeiros até o momento no programa Mais Médicos. Eles não poderão escolher o município de atuação.

Já na próxima semana, deverão chegar os primeiros 400 médicos cubanos, que passarão por acolhimento e avaliação em universidades de oito capitais.

Os cubanos passaram por aprovação assim como os demais inscritos no programa. "Só irão para os municípios os médicos que tenham condições de atender bem a população e de se comunicar [em português]", disse ontem ministro da Saúde em entrevista coletiva.