Cães ajudam pacientes a enfrentar tratamentos complexos de saúde

Noelle Marques

Do UOL, em São Paulo

Domitila e Nina têm quatro anos de idade e há três fazem trabalho voluntário. Elas são colegas de trabalho e visitam duas instituições. Não, elas não são meninas prodígios. São duas cadelas. Uma da raça poodle e uma SRD (sem raça definida).

As duas "trabalham" para a ONG Cão Terapeuta, criada em 2008 pelo zootecnista Alexandre Rossi, que conta com 42 cães terapeutas e 55 voluntários e tem como objetivo ajudar na melhora de crianças, idosos e pessoas debilitadas ou com necessidades especiais.

A reportagem do UOL acompanhou uma das visitas da ONG no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas em São Paulo, na última terça-feira (11). Ao todo quatro cachorros voluntários visitaram e brincaram com crianças que se encontram em quadros de alta complexidade como síndromes raras, câncer, Aids, além de crianças transplantadas.

A parceria da ONG com o Instituto da Criança, em conjunto com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HC (CCIH), começou em outubro de 2013 e já apresenta resultados.

Segundo Jaqueline Lara, coordenadora de Humanização do Instituto, é notável a maior socialização e integração das crianças com familiares e funcionários. "Eles [pacientes] ficam muito tempo isolados, internados, por ser um hospital de doenças crônicas. Então para eles é uma novidade, quebra a rotina do ambiente hospitalar (...). Eles se alimentam melhor, ficam mais felizes e aceitam melhor as medicações", explica.

No dia da visita da reportagem, muitas crianças receberam a visita dos animais nos próprios quartos, já que não tinham condições de ir até a brinquedoteca do hospital.

As que saíram, puderam fazer carinho, jogar bolinha e aprender truques com os cachorros, que, apesar de calmos, não pararam um minuto de abanar o rabinho e distribuir lambidas a quem pedia.

Ana Maria Ferreira, avó da paciente Caroline Agnelli Ferreira, conta que a neta, de apenas quatro anos, tinha muito medo de cachorro, e ali, no primeiro contato com os animais da ONG, havia superado este trauma.

A pequena Carol, como se apresenta, revelou à reportagem que agora "ama" os animais.

Como se tornar um voluntário

Para ter um cachorro terapeuta, voluntário na ONG Cão Terapeuta, é necessário passar por uma avaliação física, clínica e comportamental. Isto é, são animais, tanto macho, quanto fêmea, castrados, vermifugados, vacinados, dóceis, confiantes, que gostem de dar e receber carinho e que tenham mais de dois anos de idade.

Alguns animais também passam pelo processo de adestramento, onde aprendem diversos truques e respondem mais facilmente a comandos.

A voluntária Annelisa Faccin conta que para os animais é uma oportunidade de interação, socialização, trabalho e de gastar energia. "A gente sempre está preocupado com o bem-estar do animal. Se a gente percebe que o animal está estressado, não está indo bem nas visitas, fica tenso, a gente afasta. (...) A gente pensa no bem-estar de todos", diz.

Faccin conta que alguns animais também participam sem os donos, acompanhados de outros voluntários.

As visitas variam de acordo com a instituição que participa do projeto, atualmente são seis.

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