PUBLICIDADE
Topo

Para evitar lesões, médicos defendem protetor auricular para jogos da Copa

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

09/07/2014 06h00

Todo dia de jogo da seleção brasileira a animação começa logo cedo. Apitos, fogos, bombas, vuvuzelas e cornetas são utilizados para torcer para o Brasil. No entanto, a exposição a esses barulhos, que variam de 110 a 120 decibéis, estão muito acima do tolerável pelo ouvido humano (85 dB). Para evitar traumas para a saúde auditiva, a dica é não sair de casa para assistir aos jogos sem protetores auriculares. 

De acordo com a otorrinolaringologista Tanit Ganz Sanchez, presidente da Apidiz (Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido) e do Instituto Ganz Sanchez, em alguns espaços, principalmente nos fechados, o volume pode alcançar 120 decibéis, que corresponde ao barulho de uma turbina de um avião. "Os sons são os mesmos, mas o fato de estarem num local menor e mais fechado, pode fazer com que os sons reverberem nas paredes e voltem para os ouvidos mais vezes, aumentando o desconforto e o potencial de lesão nos ouvidos", explica Sanchez.

Para quem for assistir aos jogos em bares ou em casa, o ideal é ficar longe das cornetas e apitos. "Vários destes instrumentos, que foram testados pela Sociedade Brasileira de Otologia e pela Proteste (Associação de Consumidores), tem sons que estão acima de 120 dB, o que é muito prejudicial a saúde auditiva", declara o presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), Paulo Roberto Lazarini.

Os ruídos tanto no estádio quanto nos bares tem potencial para estragar os cílios das células ciliadas (internas) do ouvido. "Essa lesão é permanente, pois essas células não sabem se regenerar. A perda auditiva começa com pequenas lesões, como zumbido ou hipersensibilidade (intolerância a sons). Por isso não pode descuidar desses sinais precoces de lesão", destaca Sanchez.

Segundo Lazarini, o problema é que as células são danificadas gradativamente ao longo dos anos, propiciando a perda de audição. "O grande problema é que esta perda se faz de modo lento e o dano vai se acumulando. Assim, poderemos ter um indivíduo ainda jovem e com dificuldades da ouvir", comenta.

Assistir aos jogos e torcer é uma atividade prazerosa, mas é importante entender que o risco de danificar a audição ao assistir aos jogos existe. "Para ajudar é preciso usar os protetores auriculares, pois eles abafam até 25 decibéis, ou seja, diminuem a quantidade de som que chega aos ouvidos e o risco de lesão", explica Sanchez. O produto não atrapalha na comunicação, portanto é possível ouvir e entender tudo que está se passando a sua volta. “Tapar os ouvidos com as mãos ou colocar apenas algodão no canal não costuma ser suficiente para diminuir o impacto do som aos ouvidos”, alerta Sanchez.

Segundo a otorrinolaringologista, também é importante fazer intervalos para descansar os ouvidos por 10 minutos a cada uma hora de barulho. "O jogo tem 1,5 hora, mas a preparação também é barulhenta, assim como o intervalo e a comemoração pós-jogo. Isso aumenta a exposição para um mínimo de até 4 horas consecutivas com volume alto. Quanto maior o tempo de exposição, maior o risco de lesão, por isso é importante um descanso", avalia Sanchez.

Mas caso a pessoa saia do estádio, do bar ou da festa com zumbido no ouvido, que ainda persiste no dia seguinte, ela sofreu um trauma acústico. “Essa lesão dos cílios das células ciliadas do ouvido precisa ser tratada o quanto antes, de preferência até 48 horas, com medicamentos”, destaca Sanchez.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), a presença de dores de cabeça e dores nos ouvidos após assistir ao jogo indica que houve exposição prejudicial e o ideal é que a pessoa fique em um local mais silencioso até melhorar. “Ela deve evitar novas exposições como a que lhe causou este problema. Caso os sintomas persistam, ela deve procurar um médico otorrinolaringologista”, explica Lazarini.

Para Lazarini, não é possível ficar surdo durante uma partida de futebol, mas em algumas circunstâncias especiais sim, como explosão de um rojão próximo ao ouvido ou emissão do som de uma corneta muito próximo da orelha.