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Americanos tratados com droga experimental para ebola nos EUA recebem alta

Erik S. Lesser/EFE
21.ago.2014 - O médico norte-americano Kent Brantly, que contraiu ebola de pacientes que tinham o vírus na Libéria, olha para a mulher durante anúncio da alta Imagem: Erik S. Lesser/EFE

Do UOL, em São Paulo

2014-08-21T10:54:31

21/08/2014 10h54

O médico norte-americano Kent Brantly, que contraiu ebola de pacientes que tinham o vírus na Libéria, recebeu alta nesta quinta-feira (21), três semanas após entrar em um hospital nos Estados Unidos. A missionária Nancy Writebol, que também estava internada para combater a doença, foi liberada na terça-feira (19), informou o corpo médico do hospital da Universidade Emory, em Atlanta, aonde os dois estavam sendo tratados.

Brantly e Writebol receberam o medicamento experimental ZMapp, usado em alguns poucos pacientes no surto de ebola na África Ocidental, depois de serem levados de volta aos Estados Unidos no começo do mês.

Tanto o médico quanto a missionária receberam alta após resultados de exames de sangue terem dado negativo para o vírus.

"Hoje é um dia milagroso"

"Hoje é um dia milagroso. Estou muito feliz por estar vivo, estar bem, e por estar reunido com a minha família. Como médico missionário, nunca me imaginei nessa situação.[...] Deus salvou minha vida", disse Brantly nesta quinta-feira (21) durante o anúncio.

"Por favor, não parem de orar para o povo da Libéria e da África Ocidental e por um fim a esta epidemia de ebola", disse.

O corpo médico do hospital de Atlanta, no entanto, trabalha com a possibilidade de o ebola se manter no sêmen de Brantly por mais três meses.

Writebol não se pronunciou publicamente, mas seu marido David Writebol informou via e-mail ao grupo missionário SIM USA, no qual a mulher trabalha, que ela preferiu manter a privacidade ao sair do hospital e está descansando em sua companhia.

"Nancy se juntou a um pequeno, mas espero que crescente número de sobreviventes do vírus ebola quando saiu da unidade de isolamento do Hospital Universitário Emory na terça-feira à tarde, 19 de agosto. Durante o curso de sua luta, Nancy recordou as horas escuras de medo e de solidão, mas também uma sensação de paz e da presença de Deus profunda e permanente, dando-lhe conforto”, escreveu.

Brantly e Writebol foram infectados enquanto tratavam de doentes de ebola em Monróvia, capital da Libéria. Eles estavam no país em missão humanitária. Brantly atuava no país desde outubro de 2013 como médico-geral pela Bolsa da Samaritano e Writebol pertence ao grupo religioso de assistência humanitária SIM USA.

Franklin Graham, presidente da Bolsa do Samaritano, demonstrou alívio pela recuperação do médico.

"Hoje me uno a toda equipe da Bolsa do Samaritano pelo mundo para dar graça a Deus ao celebrar a recuperação do médico Kent Brantly", disse.

Ainda no hospital, Brantly relatou sua experiência no país, aonde disse ter presenciado muitas mortes.

"Eu toquei as mãos de inúmeras pessoas com essa terrível doença que levou suas vidas. Vi o horror em primeira mão, e ainda me lembro de cada rosto e de cada nome", disse pela primeira vez depois de ser internado.

Juntamente com Guiné e Serra Leoa, a Libéria vive surto de ebola que já matou 1.350 pessoas, de fevereiro a agosto, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Casos já surgiram também na Nigéria, o país mais populoso da África. O surto é considerado o mais mortal de todos os tempos pela OMS.

(Com agências internacionais)

Saiba mais sobre ebola

  • O que é o ebola?

    A doença é causada pelo vírus ebola e, no surto atual, já matou quase a metade dos pacientes diagnosticados com a doença. Tem sintomas como febre, vômito, diarreia e hemorragia.

  • Como se contrai o vírus?

    O ebola é transmitido pelo contato direto com sangue e fluídos corporais (suor, urina, fezes e sêmen) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola. Na Nigéria houve casos da doença, mas o vírus deixou de ser ameaça no país. EUA e alguns países europeus resgataram compatriotas infectados para tratamento.

  • Quem tem mais risco de contrair a doença?

    Parentes dos pacientes e os profissionais de saúde que tratam os pacientes com ebola são os indivíduos em maior situação de risco. Mas, qualquer pessoa que se aproxime de infectados ou de seus corpos sem vida se coloca em risco.

  • O ebola tem cura?

    Não há remédio que cure o ebola propriamente. Existem apenas medicamentos e vacinas experimentais sendo testadas no Canadá, nos Estados Unidos e na África, que surtiram o efeito desejado, isto é, zeraram a carga viral dos infectados. Quem sobreviveu ao tratamento continuará sendo monitorado por um tempo.

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