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Médico dos EUA com ebola pediu para ir à África após colegas adoecerem

Médico norte-americano Rick Sacra, 51, foi infectado com ebola em Monróvia, Libéria - Arquivo pessoal
Médico norte-americano Rick Sacra, 51, foi infectado com ebola em Monróvia, Libéria Imagem: Arquivo pessoal

Do UOL, em São Paulo

03/09/2014 15h11

Rick Sacra, 51, é o terceiro médico dos EUA a se infectar com ebola durante trabalho missionário em Monróvia, na Libéria. Vivendo em Boston, Massachussets, Sacra teria pedido para ir à África depois que dois missionários norte-americanos foram infectados pelo vírus, mesmo sabendo dos riscos que corria, informou a organização humanitária cristã SIM USA, nesta quarta-feira (3).

O médico, casado e com dois filhos, havia chegado a pouco mais de um mês para a missão. Ele havia sido escalado para ser o diretor da organização na Libéria por já ter trabalhado no país junto com a mulher, Debbie. O casal atua no SIM USA desde a década de 80.

Sacra é amigo de Kent Brantly e Nancy Writebol, que contraíram o vírus enquanto cuidavam de pacientes com ebola na capital liberiana, mas foram transferidos para Atlanta, onde foram tratados até receberem alta.

"Rick ligou e disse 'estou pronto para ir'. Ele sabia dos riscos em curso. Sabia que eles também tinham seguidos os protocolos em vigor. Mas Rick estava seguindo", disse Bruce Johnson, presidente do SIM USA em entrevista coletiva em Charlotte, na Carolina do Norte.

Sacra está sendo tratado em área isolada do ELWA Hospital, em Monróvia, de onde fala com os familiares pela internet e por telefone.

"Rick está sendo cuidado em nosso ELWA 2 Ebola Care Center. Muitos dos que estão cuidando de Rick são aqueles que ele ensinou e orientou. Eles amam e admiram o doutor Sacra, por isso ele está recebendo a maior atenção e cuidado", disse Johnson. 

Segundo o presidente do SIM USA, estão sendo estudadas todas as possibilidades de um possível transporte do médico.

Mais sobre o ebola

Sacra vinha realizando partos e trabalhando com pacientes que não estariam com ebola, por isso ainda não se sabe como ele contraiu o vírus. Sacra estava encarregado de criar um programa de residência na Libéria com o objetivo de treinar médicos para situações extremas.

No final de agosto, porém, Sacra atendeu uma adolescente de 13 anos que sofria fortes dores abdominais. Ela foi operada pelo médico junto com um cirurgião liberiano. A menina tinha buracos no intestino causado por uma infecção.

“Estou feliz de informar que a Lisa está melhorando e se recuperando lentamente. Mas ela é apenas uma das tantas pessoas na Libéria que estão em risco por causa do tsunami ebola que varreu o seu já frágil sistema de saúde", escreveu no último sábado (30).

Para o canal de TV NBC, Doug Sacra, irmão do médico,confirmou o diagnóstico e disse que “meu irmão é um perfeito exemplo de auto-sacrifício cristão”.

(Com agências internacionais)

Saiba mais sobre ebola

  • O que é o ebola?

    A doença é causada pelo vírus ebola e, no surto atual, já matou quase a metade dos pacientes diagnosticados com a doença. Tem sintomas como febre, vômito, diarreia e hemorragia.

  • Como se contrai o vírus?

    O ebola é transmitido pelo contato direto com sangue e fluídos corporais (suor, urina, fezes e sêmen) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola. Na Nigéria houve casos da doença, mas o vírus deixou de ser ameaça no país. EUA e alguns países europeus resgataram compatriotas infectados para tratamento.

  • Quem tem mais risco de contrair a doença?

    Parentes dos pacientes e os profissionais de saúde que tratam os pacientes com ebola são os indivíduos em maior situação de risco. Mas, qualquer pessoa que se aproxime de infectados ou de seus corpos sem vida se coloca em risco.

  • O ebola tem cura?

    Não há remédio que cure o ebola propriamente. Existem apenas medicamentos e vacinas experimentais sendo testadas no Canadá, nos Estados Unidos e na África, que surtiram o efeito desejado, isto é, zeraram a carga viral dos infectados. Quem sobreviveu ao tratamento continuará sendo monitorado por um tempo.

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