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Menino de 3 anos é a 1ª criança brasileira a receber prótese de corrida

Fabiana Marchezi

Do UOL, em Campinas (SP)

19/06/2015 18h40

“Correr e conquistar muitas medalhas”. Esse é o sonho do pequeno José Bento Lacerda. Aos 3 anos, ele é a primeira criança brasileira a receber uma prótese de corrida infantil no país. Filho e neto de atletas, mesmo com uma das pernas amputadas, o brasiliense sempre quis seguir o exemplo da família. Com o apoio dos pais, o garoto fez o implante no Instituto de Prótese e Órtese (IPO), em Campinas (SP), na quinta-feira (18).

O menino nasceu com um uma má formação congênita e teve a perna direita amputada, e por isso sempre precisou usar uma prótese. “Ele nasceu sem a fíbula, um osso da perna, e com o pé mal formado, por isso teve a perna amputada do joelho para baixo e desde a cicatrização, quando ele tinha um ano e dois meses, já começou a usar a prótese comum”, explicou o diretor do IPO, José André Carvalho.

A lâmina Cheetah -fabricada na Islândia e adquirida pela família por cerca de R$ 15 mil- é semelhante à usada por corredores e deixou o menino ainda mais entusiasmado. Mesmo com a prótese comum, ele já havia conquistado uma medalha em uma competição nos Estados Unidos.

Já nos primeiros momentos com a lâmina nova, Bento ficou muito satisfeito. “Essa perna nova é muito rápida, muito mais rápida que a outra", disse. Segundo Carvalho, o menino deve levar de dois a três dias para se adaptar.

“Ele vai aprender a correr com a prótese. O que vai ser um diferencial tanto para as coisas de rotina quanto para as competições”, disse o ortoprotesista.

Família de corredores

Com a coleção de medalhas conquistadas pelo pai e pelo avô, atletas amadores, o garoto se sente ainda mais estimulado. "Ele sempre acompanha o pai nos treinos e corre junto nos primeiros metros. Ele sempre quis seguir o exemplo deles”, contou a mãe do garoto, Rosa Mirah Lacerda.

O equipamento pesa 30% menos do que uma prótese convencional – cerca de 800 gramas - e mede 35 centímetros de altura. Ele amortece o impacto quando toca o chão e ajuda a dar impulso para o próximo passo.

"Eles não conheciam a tecnologia, mas sempre deixaram claro o interesse do Bento pela corrida. Por isso, no momento oportuno, eu falei que existia a lâmina lá fora e que poderíamos usar no Bento quando ele atingisse idade e altura ideais para poder correr, pular e fazer o que toda criança na idade dele faz. Eles concordaram e foi possível trazer a prótese", concluiu o ortoprotesista. 

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