Conheça a doença da menina que recebeu doação de policiais para ser tratada

Fernando Cymbaluk

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo Pessoal

    Isabela Diringer, 12, tem má formação no intestino e deve passar por cirurgia na Inglaterra

    Isabela Diringer, 12, tem má formação no intestino e deve passar por cirurgia na Inglaterra

A família de Isabela Diringer, 12, está em campanha de arrecadação para que a garota possa realizar uma cirurgia no intestino na Inglaterra. O caso ganhou repercussão depois que policiais de Santo André, cidade do ABC paulista, entrarem na vaquinha com o prêmio de R$ 3 mil que ganharam por terem acertado a quadra na Mega Sena da Virada. Mas, afinal, qual é o tratamento que Isabela precisa realizar?

De acordo com Gláucia Marina Diringer, mãe de Isabela, a menina possui o intestino delgado muito curto, de apenas 17 centímetros. O problema é fruto de uma malformação chamada gastrosquise, que faz com que o intestino se desenvolva para fora do corpo antes da criança nascer. É justamente o alongamento do intestino que a Isabela precisa.

"A síndrome do intestino curto impede que a pessoa consiga absorver todos os nutrientes", explica José Roberto de Souza Baratella, diretor da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Quem possui essa síndrome torna-se dependente de nutrição parenteral, feita com o uso de soluções aplicadas diretamente na corrente sanguínea.

Para poder se alimentar normalmente, Isabela precisa que seu intestino delgado funcione de forma integral. Para isso, é necessário que ele seja alongado. Um método desenvolvido na Inglaterra em 1980 utiliza grampos para duplicar o comprimento intestinal. Grampeadores colocados ao longo do órgão criam um canal mais estreito, porém mais longo. A técnica é uma alternativa eficaz ao transplante intestinal, que pode causar muitas complicações.

"Nessa técnica, o intestino é aberto para que seja feita sua reconstrução", diz Baratella. De acordo com o cirurgião, existem grupos no Brasil e em outros países que realizam o alongamento intestinal. Contudo, os resultados na Inglaterra são mais eficazes, por enquanto.

Por causa da gastrosquise e da síndrome do intestino curto, o desenvolvimento físico e neurológico de Isabela foi afetado. "Ela tem 12 anos, mas com idade mental e tamanho de uma criança de 6", esclarece a mãe. Segundo Baratella, esses problemas não são provocados diretamente pela doença, mas sim pelas consequências do tratamento e da insuficiência do órgão da menina.

Orli Franzon; Hideo Suzuki; Karina Midori Sato;Maria Claudia Piccoli; Marília Granzotto Volpato
Grampos permitem formar canal de intestino menor em diâmetro, mas maior em comprimento

"Em casos graves, com complicações, a criança recém-nascida que perde um bom pedaço do intestino fica na UTI, é entubada. Todos esses agravos no período neonatal podem ocasionar o retardo mental. Não é a doença em si, mas situações adversas que ela viveu que causaram os problemas de desenvolvimento", afirma Baratella.

Já o desenvolvimento físico comprometido deve-se ao intestino curto. O cirurgião explica que por melhor que seja a nutrição parenteral (por sonda), ela não substitui a ingestão oral de alimentos.

A criança não tem condições de obter todos os nutrientes de que precisa para crescer de maneira adequada."

A síndrome do intestino curto pode ser provocada por diversas doenças que afetam o intestino e obriguem a retirada de parte do órgão. Complicações da gastrosquise, como torção que provoca necrose do intestino, é uma dessas causas.

Gastrosquise é tratada ao nascer

A gastrosquise é caracterizada pela ausência de parede abdominal ao nascer. Sem a cobertura da barriga, o bebê, ainda dentro do útero da mãe, tem as alças do intestino expostas. "A criança nasce com elas bastante inflamadas em função a exposição ao líquido amniótico", diz Baratella.

Segundo o cirurgião, o tratamento é feito com uma cirurgia logo após o parto, em que o abdome é fechado. "Na grande maioria das crianças, o problema é resolvido com bons resultados, sem sequelas nutricionais ou problemas de desenvolvimento mental. Ela vai viver normalmente", diz.

Baratella afirma que o problema afeta entre três e quatro bebês a cada 10 mil nascidos

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