Se você não trabalha com conjuntivite, por que não fica em casa com gripe?

Bia Souza

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

Se a gripe e a conjuntivite são ambas contagiosas, porque você vai ao trabalho quando está gripado e fica em casa quando está com o olho inflamado? De acordo com os médicos, o correto é permanecer afastado para ambos.

A primeira coisa a pensar é que gripe é diferente de resfriado. A gripe é uma infecção respiratória intensa, que começa de forma repentina, provocando dores no corpo e cabeça, desconforto respiratório, calafrios e febre alta, acima de 38,5°.

A recuperação leva pelo menos 7 dias e quando malcuidada pode se agravar causando pneumonia e até mesmo a morte.

Já o resfriado tem sintomas mais leves e não provoca grandes complicações. Quando confirmado que se trata de influenza os médicos recomendam ficar em casa.

 "Caso ocorram mais de um caso de gripe no mesmo ambiente de trabalho, mesma classe de escola ou creche deve ser considerado um afastamento", explica Eitan N Berezin, pediatra da Santa Casa de São Paulo

A recomendação do Ministério da Saúde é evitar sair de casa durante o período de transmissão da doença e procurar ficar longe de aglomerações e ambientes fechados, mantendo os locais ventilados, mas quem trabalha e/ou estuda sabe que é difícil cumprir esse conselho.

Quanto mais o ambiente é fechado, maiores as chances de o vírus permanecer em suspensão e contaminar outras pessoas."

Celso Granato, infectologista do Grupo Fleury

Pessoas sem complicações médicas podem se recuperar de gripes, mesmo fortes, em casa com repouso, hidratação e medicamentos para aliviar a dor e a febre. Sem necessidade de procurar um médico.

No entanto, Granato lembra que no Brasil não há uma indicação clara para que os médicos afastem do trabalho os gripados, como acontece em países como a França. A indicação vai depender do paciente, do local de trabalho e da decisão clínica.

A transmissão da gripe ocorre por meio das secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao falar, espirrar ou tossir.

"O vírus pode passar pelo ar, enquanto conversamos a menos de um metro de distância através das partículas de muco que são invisíveis. A outra pessoa aspira e contrai a doença", explica Paulo Olzon, professor e infectologista da Unifesp.

Outra forma de contágio se dá por meio das mãos, que podem transportar as secreções para objetos, nariz, boca e olhos.

Por que não trabalhamos com conjuntivite?

A razão do afastamento por conjuntivite não é apenas o risco de contágio, mas a dificuldade de usar a visão e a proteção da córnea. Se a conjuntivite não for tratada ela pode até se tornar crônica.

"Conjuntivites são muito sintomáticas e provocam coceira, incômodo a luz e dificuldade visual, devido a secreção. Alguns tipos virais podem ser tão graves ao ponto de lesar a córnea", explica Maria Auxiliadora Monteiro Frazão Sibinelli, professora de oftalmologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Existem três tipos da doença: viral, bacteriana e alérgica. A terceira não é contagiosa.

Getty Images/iStockphoto
Diferente da gripe, a conjuntivite dificilmente passa pelo ar. A principal forma de contágio é por meio de objetos que a pessoa infectada compartilha, como toalha, travesseiros e lençóis.

Como os olhos lacrimejam, é inevitável coçar ou encostar neles e é através das mãos que os vírus e bactérias são transmitidos para maçanetas e outros objetos.

Conjuntivite é quase um sinônimo de afastamento de 7 dias, mas esse não é um número exato. De acordo com os especialistas, a necessidade de repouso varia de acordo com o caso. "Em casos mais graves é preciso um afastamento de até 15 dias", explica Sibinelli.

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