Médicos estão tirando opioides das salas de cirurgia nos EUA

Da Bloomberg

  • Thinkstock

O transplante de quadril de Amber McCanna em 2016 foi a sexta cirurgia dela em 10 anos. E também o início de uma vida sem opioides.

McCanna, de 37 anos, passou anos presa a potentes doses diárias de opioides prescritas por seus médicos para dores articulares crônicas. Mas sua operação mais recente foi realizada com a ajuda de uma abordagem que minimiza o uso dos analgésicos altamente viciantes que têm despedaçado comunidades e arruinado vidas nos EUA.

"Não consumi nenhum narcótico desde então", disse ela, que tem três filhos. "Nunca me permitirei ficar novamente dependente de opioides."

McCanna está na vanguarda de um novo movimento da medicina nos EUA de combate à dependência de drogas. Apesar das ações judiciais milionárias por negligência, da condenação de dezenas médicos pela Administração de Repressão às Drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) por uso indevido e criminoso de analgésicos e das 33.000 overdoses ocorridas em 2015, os médicos ainda prescrevem centenas de milhões de opioides todos os anos. Agora, alguns cirurgiões e anestesistas estão tentando tirar os opioides da sala de cirurgia.

Os médicos não podem se dar ao luxo de esperar pela nova geração de analgésicos sem opioides que as empresas estão correndo para desenvolver. Por isso, estão recorrendo a drogas há muito consolidadas que são similares à procaína, uma das favoritas dos dentistas, para realizar procedimentos usando uma abordagem não muito diferente das anestesias epidurais que as mulheres normalmente recebem durante o parto.

A diferença é que os anestesistas miram articulações específicas, como ombro, joelho ou quadril. Eles também estão recomendando cada vez mais alternativas como massagens e meditação para complementar os medicamentos para controle da dor.

"Os opioides estão sendo evitados", disse Lynn Webster, anestesista e vice-presidente da PRA Health Sciences, uma empresa que ajuda laboratórios farmacêuticos a desenvolver medicamentos, incluindo novos analgésicos. "Os médicos estão evitando prescrevê-los por medo de perder suas licenças."

David Auyong e Neil Hanson, anestesistas do Virginia Mason Medical Center, de Seattle, têm incentivado o uso de bloqueios nervosos que anestesiam partes específicas do corpo em vez de opioides cujos efeitos afetam os pulmões, o sistema gastrointestinal e o cérebro. Guiado por imagens ultrassonográficas, Auyong conduz um cateter para aplicar bupivacaína, uma droga anestésica de longa duração, individualmente nos nervos.

Após a cirurgia, bombas continuam entregando a droga diretamente nos nervos durante dois a quatro dias até a diminuição da dor mais intensa. Trata-se de um distanciamento em relação ao uso de sistemas que permitem que os pacientes tomem quantidades limitadas de opioides, como a morfina. Usando essa técnica, Auyong e Hanson conseguiram reduzir substancialmente a quantidade de opioides recebidos pelos pacientes para procedimentos de artroplastia total do joelho.

O objetivo é diminuir o número de casos como o de Amber McCanna. Com uma dor debilitante por um desalinhamento articular, McCanna passou por sua primeira operação no quadril há quase 12 anos. Após cada operação, ela tomou doses maiores e mais fortes de opioides, e em 2009, por orientação médica, começou a consumir opioides diariamente.

"Eu era escrava dos medicamentos", disse ela. "Eu me sentia presa, realmente, e agora já não, e isso é muito bom."

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