Toda febre é infecção? Mais quente mais grave? O que o termômetro não conta

Larissa Leiros Baroni

Do UOL, em São Paulo

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Você certamente já teve febre alguma vez (ou várias) na vida, não? Se não bastasse a fraqueza, as dores no corpo, as tremedeiras e a perda de apetite, esse é sempre um momento de preocupação, principalmente quando o termômetro vai muito além dos 36,5°C. A dúvida que fica é: será grave?

"O maior mito é considerar a febre uma doença. Não é, é sintoma e não exige tratamento imediato", enfatiza Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein. A febre é um aumento temporário da temperatura do corpo provocado, muitas vezes, por uma doença. É um alerta de que algo fora do normal está acontecendo em seu corpo.

A temperatura normal do corpo é de 36,5ºC. Para considerarmos febre, a temperatura em repouso deve estar acima de 37,5 ºC. "Mas para bebês de zero a 12 meses, alcançar os 37 ºC já deve ser considerado um alerta. Isso porque o sistema nervoso deles ainda está em formação e a alta temperatura pode desencadear um processo convulsivo", relata Samuel Kierszenbaum, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, que acalma as mães: "normalmente não são graves."  

Mas o que causa a febre? 

Nem toda febre é sinal de infecção, muito menos de doença grave.

A grande maioria delas, inclusive, é inofensiva e está relacionada a doenças autolimitadas (que se curam sozinhas)."

Samuel Kierszenbaum, infectologista

As altas temperaturas podem ser causadas por um vírus, por uma infecção bacteriana, insolação, inflamações ou até reações a medicamentos e vacinas. 

Outro mito é achar que quanto maior a temperatura do corpo maior a gravidade da doença.

Uma banal amigdalite dá um febrão, e algumas doenças muito graves como septicemia [infecção grave do sangue] podem dar hipotermia e não febre."

Jacyr Pasternak, infectologista

E a meningite, por exemplo, pode elevar a temperatura do corpo para no máximo 37,9ºC. "A febre é apenas um sintoma, e só um médico pode dizer se é coisa séria ou não", enfatiza.

O importante, segundo Kierszenbaum, é sempre levar em consideração os efeitos além da febre. "Sozinha ela não tem muito valor. É necessário avaliar o conjunto. O paciente está vomitando, não está comendo, não está respirando, não está comendo, está com bastante secreção (...) Tudo isso precisa ser levado em consideração."

Elevações repentinas e muito rápidas de temperatura são uma razão de alerta no caso de crianças de até três anos. São esses casos que podem levar a convulsões por febre.

No entanto, como explica Pasternak, as chamadas convulsões febris não deixam sequelas neurológicas, a não ser que a criança já tenha epilepsia.

Como tratar? 
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Como afirma Pasternak, o uso de antitérmicos é discutível. "Não há evidência que os remédios sejam úteis para qualquer coisa, a não ser para sossegar a mãe de criança com febre." Segundo ele, se a pessoa está confortável com a febre, não há porque tomar remédio.

"Não há regra para a temperatura para a qual se dá o antitérmico: depende do paciente, e mais uma vez se ele estiver confortável, ainda que esteja com 39ºC, não há necessidade de antitérmicos."

Aumente a ingestão de água. Não que a ingestão do líquido vai ajudar a baixar a temperatura do corpo, mas vai evitar a desidratação e piora do quadro

Kierszenbaum recomenda ainda o repouso. "Esse pode ser o segredo para a recuperação do corpo", enfatiza ele, que também diz ser necessário evitar a prática de exercícios.

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Nada de banho quente

O especialista também sugere o bom e velho banho morno. É morno, não quente, tá? E nada de colocar álcool na água. "Compressas de álcool são coisas do século retrasado, e não se usam mais até porque há risco de intoxicações", alerta Pasternak.

Na dúvida, seja da gravidade ou até de como melhorar o mal-estar, procure sempre um médico. 

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