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"Vencemos batalha": após 1ª cirurgia, gêmeas unidas pelo crânio passam bem

Hermes do Prado/HCRP-USP
Imagem: Hermes do Prado/HCRP-USP

Stefhanie Piovezan

Colaboração para o UOL, em Ribeirão Preto (SP)

19/02/2018 21h14

Dois dias após a primeira cirurgia de separação das gêmeas siamesas unidas pelo crânio, Maria Ysabelle e Maria Ysadora, as meninas passam bem e devem sair da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) nesta terça (20).

Representantes da equipe médica com 30 pessoas anunciaram à imprensa no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, que o procedimento foi bem-sucedido. A segunda cirurgia está prevista para o fim de maio, haverá uma terceira, e a última, de separação dos crânios, deve ocorrer em novembro.

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“As crianças estão evoluindo muito bem do ponto de vista clínico. Todos os parâmetros fisiológicos estão normais, sem déficits neurológicos, e a previsão, se tudo continuar bem, é que elas tenham alta da UTI amanhã”, afirmou a médica Ana Paula Carlotti.

Segundo Ana Paula, as meninas já estão se alimentando pela boca e não há registro de complicações. 

As gêmeas Maria Ysabelle e Maria Ysadora, antes da cirurgia em Ribeirão Preto - Marlene Bergamo/Folhapress - Marlene Bergamo/Folhapress
As gêmeas Maria Ysabelle e Maria Ysadora, antes da cirurgia em Ribeirão Preto
Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress

Possíveis riscos e sequelas

Os médicos fizeram um corte de aproximadamente 15 cm x 5,5 cm e começaram o trabalho de separar as veias interligadas entre as crianças. Depois, colocaram lâminas de um material similar ao silicone, para evitar a adesão das áreas separadas. Por fora, não houve alteração, mas internamente a região unida começou a ser dividida.

Entre os riscos gerais do pós-operatório estão crises convulsivas e pequenas hemorragias, problemas que a equipe espera afastar com a opção pela separação em etapas. Também foram tomadas medidas para evitar outras complicações possíveis, como meningite e infarto venoso.

“É precipitado pensar em sequelas. Eu digo que temos que pensar como se fosse uma escada. Nós não chegamos ao último degrau sem que passemos pelo primeiro. Nós temos plena consciência do desafio, mas passo a passo, degrau a degrau. Por enquanto, dentro do planejamento, a execução foi bem realizada. vamos agora para uma segunda etapa, que é tão importante quanto a primeira. Digamos que vencemos uma batalha, a guerra ainda tem muita história”, ponderou Oliveira.

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Essa primeira cirurgia reuniu uma equipe de 30 profissionais
Imagem: Hermes do Prado/HCRP-USP

Novo modelo

Na coletiva, os médicos mostraram um novo modelo, confeccionado no Departamento de Física Médica, que será recoberto com silicone de forma a simular a pele das crianças e a última etapa da separação.

Também explicaram que foram feitos novos exames para acompanhar o crescimento das irmãs, mas ainda não se sabe de fato a quais atividades as áreas dos cérebros que compartilham o sistema vascular estão associadas.

“Seria muito interessante que a gente soubesse exatamente quais áreas estão comprometidas e os exames estão em andamento para tentarmos desvendar isso, mas é impossível, neste momento, dizer quais estão envolvidas”, afirmou o neurocirurgião Hélio Rubens Machado, coordenador da equipe.

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A cirurgia foi coordenada pelo neurocirurgião Hélio Rubens Machado (1º da esquerda para a direita) e acompanhada pelo norte-americano James Goodrich (3º da esquerda para a direita)
Imagem: Hermes do Prado/HCRP-USP