População faz vaquinha para impedir fechamento do único hospital da cidade

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL em São Paulo

  • Divulgação

    Hospital Amparo pode fechar as portas em razão de uma dívida

    Hospital Amparo pode fechar as portas em razão de uma dívida

A população da pequena cidade de Rosário Oeste, a 133 km de Cuiabá, decidiu se unir para evitar o fechamento do único hospital da cidade. Os moradores criaram uma vaquinha virtual e estão batendo de porta em porta para conseguir arrecadar R$ 515 mil para salvar o Hospital Amparo (Associação Municipal de Proteção e Assistência de Rosário Oeste), filantrópico, que pode fechar se não quitar seus débitos trabalhistas.

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A dívida é o resultado de 20 anos sem pagar encargos, como INSS, Fundo de Garantia e Imposto de Renda. "Hoje, com multas e juros, são R$ 515 mil", estimou ao UOL Assunção Igino, diretor-presidente da Instituição. "A dívida impede que o hospital tenha certidão negativa e, assim, não pode receber repasses dos governos federal e estadual."

A unidade de saúde é a única na cidade para seus 17 mil habitantes. A especialidade do Amparo é clínica médica, com média de 90 consultas por dia. O setor de emergência atende principalmente os acidentes ocorridos nas duas rodovias federais (BR 136 e BR 364) e uma estadual (MT 010). "A cidade fica na bifurcação dessas vias. Nossa emergência atende em torno de 50 casos por mês."

Sem dinheiro, o jeito foi passar o chapéu. Um grupo de jovens se reuniu para criar uma vaquinha virtual --o chamado crowdfunding-- e a Igreja Católica recrutou seus fiéis para pedir dinheiro nos bairros. "A igreja criou a Comissão SOS Amparo e está indo nas casas, pontos comerciais e nas fazendas pedindo contribuição em espécie."

A primeira boa notícia já chegou. "Hoje o presidente dessa comissão me informou que já conseguiu o dinheiro para pagar a primeira parcela." O grupo tem até o próximo dia 5 para pagar R$ 51,5 mil da primeira de 60 parcelas. "O acordo prevê que o primeiro pagamento tem de equivaler a 10% do total da dívida. Aí sobrarão 59 parcelas, de valor menor."

A dívida

Questionado sobre as razões para o tamanho da dívida, Igino, no cargo há um ano e meio, diz que "o recurso que entra pelo SUS está defasado, não custeia os procedimentos". "Quando você recebe o dinheiro, precisa optar. A gestão anterior priorizou a folha de pagamento e deixou para trás os encargos."

Com déficit mensal de R$ 20 mil, o hospital precisará de novas fontes de receita para não voltar a se endividar. A expectativa do diretor-presidente é que a negativação das certidões após o pagamento da primeira parcela atraia novos recursos.

"Em razão da dívida, não conseguimos verba estadual, e as emendas de deputados não chegam. Quitando essa dívida, o hospital continua e vamos buscar outros meios para atrair recursos e honrar os compromissos", completou o dirigente.

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