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Pediatra contrária a cubanos no Mais Médicos chefiará programa em 2019

Fernando Cymbaluk

Do UOL, em São Paulo

05/12/2018 11h43Atualizada em 06/12/2018 09h49

A médica pediatra Mayra Pinheiro, que ganhou projeção por se opor à participação de médicos cubanos no programa Mais Médicos no Ceará, foi convidada pelo futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), para assumir a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (STGES). 

Facebook/Divulgação
A pediatra Mayra Pinheiro (PSDB-CE) e o futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) Imagem: Facebook/Divulgação

A médica confirmou que aceitou o convite em post no Facebook nesta quarta-feira (5). "Trabalharei incansavelmente ao lado do ministro Luís Henrique Mandetta, para melhorar a saúde pública no meu país", disse Pinheiro na rede social.

A indicação da médica partiu da Frente Parlamentar da Medicina, da qual Mandetta é o líder. Pinheiro é professora universitária e presidiu o sindicato dos médicos do Ceará entre 2015 e 2018. Ela também participou como integrante da sociedade civil da Frente Parlamentar da Saúde no Congresso. "O convite foi técnico. É o reconhecimento por esse trabalho", disse a pediatra ao UOL. Ela chefiará a secretaria que, entre outras atribuições, cuida do programa Mais Médicos.

Em 2013, a classe médica cearense ganhou visibilidade nacional ao receber os profissionais cubanos do programa com vaias e aos gritos de "escravos". Mayra Pinheiro nega que tenha participado dessas manifestações. Depois dos episódios de protestos contra o programa implantado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Pinheiro se filiou ao PSDB do Ceará.

Na época, a pediatra afirmou que a categoria não se opunha ao programa, mas à forma como foi implantado, sem discussão com a classe e mediante contratação de estrangeiros sem revalidação do diploma.

"A minha posição sempre foi de ser contra não à vinda de cubanos, mas de intercambistas sem revalidação e pessoas que vieram do programa de cooperação internacional", disse Pinheiro ao UOL. A participação de cubanos no Mais Médicos ocorria por intermédio da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde)

Ela também critica a "abertura indiscriminada" de escolas médicas pela lei que criou o Mais Médicos e a alteração do currículo dos cursos de medicina, que teriam feito com que aulas passassem a ser ministradas em unidades de emergência sem estrutura satisfatória. 

Pinheiro, contudo, elogia o programa do governo federal e considera que ele é atrativo para os médicos. "Médicos veem no Mais Médicos uma renda segura, garantida pelo governo federal. E [o Mais Médicos] funciona como programa de financiamento [para o município], a cidade economiza [com a contratação de médicos]", afirma. 

Sobre o trabalho que assumirá no Ministério da Saúde a partir de janeiro, ela disse que já há encaminhamento na equipe de transição de uma "inversão de prioridade" na seleção de médicos em futuros editais do Mais Médicos para que sejam priorizados municípios classificados como de extrema pobreza. "[Haverá] obrigatoriedade das vagas nesses municípios serem preenchidas primeiro. Depois libera vagas para outras cidades", disse a pediatra. 

Ela também defende a criação de um programa chamado "Mais Saúde", que levaria outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, para áreas pobres e distantes dos grandes centros. "Um programa que enxergue a saúde como um todo", explicou. Pinheiro também destacou a importância da secretaria que assumirá no desenvolvimento da residência médica, atenção básica e serviços de telessaúde com especialistas realizando diagnóstico à distância.

Candidatura ao Senado

Neste ano, ela concorreu a uma das duas vagas do Ceará no Senado, na chapa do general Guilherme Theophilo, candidato ao governo cearense derrotado pelo petista reeleito Camilo Santana. Pinheiro acabou na 4ª posição do pleito, com 882.019 votos. 

Após as eleições, Pinheiro foi desligada do Hospital Geral de Fortaleza, onde trabalhava. O afastamento teria ocorrido em razão das denúncias que a médica fazia nas redes sociais mostrando pacientes à espera de atendimento em corredores de hospitais do Ceará.

A pediatra, que presidiu até esse ano o Sindicato dos Médicos do Ceará, lançou pela entidade o programa "Médicos por Amor" logo após o anúncio de que os médicos cubanos deixariam o Mais Médicos. A iniciativa busca médicos voluntários para atuar em cidades cearenses que ficaram sem profissionais com a saída dos cubanos. Mayra Pinheiro afirmou ter recrutado, até o dia 25 de novembro, 211 brasileiros para atender nesses municípios

"Ela tem o perfil que o presidente Jair Bolsonaro procura", afirmou o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), colega de partido e de estado de Pinheiro.