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Caos cria rede de solidariedade na porta de hospitais em Manaus

Grupo de voluntários distribuem alimentos e bebidas em frente ao hospital 28 de Agosto em Manaus (AM) - Carlos Madeiro
Grupo de voluntários distribuem alimentos e bebidas em frente ao hospital 28 de Agosto em Manaus (AM) Imagem: Carlos Madeiro

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Manaus

16/01/2021 15h32

O colapso na rede de saúde de Manaus gerou uma reação de solidariedade de pessoas na capital amazonense, que se mobilizaram para ajudar os que estão em vigília na porta dos hospitais públicos, onde há pacientes internados com covid-19.

Na porta da maior das unidades de pronto-socorro, o hospital 28 de Agosto, o UOL encontrou muitas pessoas fazendo doações de alimentos, máscaras e álcool em gel.

O casal Haniel e Ana Carolina Cascais veio da periferia com um isopor repleto de quentinhas para doar a quem está na porta do hospital. Também trouxeram água gelada.

"Estávamos na comodidade de casa, sem a doença afetar ninguém da família, e isso nos incomodou. Por isso preparamos esses almoços, que são simples, mas são de muito coração ", conta a mulher, que é motorista de ônibus.

Enquanto conversava com a reportagem, o marido dela, que é microempresário, perguntava a cada uma das pessoas na porta do hospital se já tinha almoçado.

Os almoços servidos tinham opção de carne ou frango. "Pensamos que deveríamos ajudar porque as pessoas estão gastando com oxigênio, e são pessoas pobres, como iriam almoçar? Então viemos para ajudar e, para nossa felicidade, encontramos muita gente também ajudando. É hora de todos se unirem, independente de fé em Deus, mas pelo próximo", completa.

Próximo a ela, um outro grupo de quatro pessoas distribui sucos e sanduíches naturais.

Grupo de voluntários distribuem alimentos e bebidas em frente ao hospital 28 de Agosto em Manaus (AM) - Carlos Madeiro - Carlos Madeiro
Grupo de voluntários distribuem alimentos e bebidas em frente ao hospital 28 de Agosto em Manaus (AM)
Imagem: Carlos Madeiro

"Ninguém estava preparado para um momento desses, e sabemos que há uma grande dificuldade financeira das pessoas porque o comércio está fechado, o auxílio emergencial acabou. Então viemos ajudar porque elas precisam disso", afirma Carla Cavalcanti, que é empresária.

Na porta do hospital também foram montados banheiros químicos para os parentes dos pacientes. Há também pessoas de igrejas que prestam suporte emocional.

Com leitos lotados, e temendo falta de oxigênio, muitos parentes acabam passando o dia na porta do hospital, prontos para uma eventual necessidade de tentar buscar o produto.

"A gente percebe que esse momento mexeu muito com todos, e não podemos só ver isso. A gente tem informações que outros hospitais têm ajuda, mas alguns mais distantes estão com famílias sem assistência, e espero que isso incentive mais pessoas a ajudarem", conta Carla.

Para evitar tumultos, um grande número de policiais fazem a segurança do local, que fechou para novos atendimentos de triagem e está recebendo casos mais graves.

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