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Vacinação infantil: Rio e São Paulo preveem interrupção a partir de amanhã

Marion, 11 anos, foi a primeira criança vacinada na cidade do Rio de Janeiro contra a covid-19 - JOAO GABRIEL ALVES/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
Marion, 11 anos, foi a primeira criança vacinada na cidade do Rio de Janeiro contra a covid-19 Imagem: JOAO GABRIEL ALVES/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Wanderley Preite Sobrinho e Lola Ferreira

Do UOL, em São Paulo e no Rio*

17/01/2022 14h26

As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, que deram início hoje à campanha de imunização infantil contra a covid-19, têm estoques baixos de doses para aplicação e preveem interrupção a partir de amanhã (17), a depender da velocidade da vacinação.

A informação é dos secretários de Saúde de São Paulo e do Rio —os municípios dependem das entregas dos estados que, por sua vez, aguardam o envio de doses pelo Ministério da Saúde. Ontem, a pasta recebeu o segundo lote de entregas da Pfizer, com cerca de 1,2 milhão de doses, e vai fazer a distribuição entre os estados.

O UOL questionou o Ministério da Saúde sobre as novas remessas, mas ainda não obteve retorno.

Segundo o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, as 64.090 doses da vacina pediátrica da Pfizer podem durar apenas até amanhã.

"Recebemos 64.090 vacinas, mas temos 236 mil crianças com comorbidade. Temos de esperar o Ministério de Saúde mandar mais vacinas. A gente vai vacinando paulatinamente", disse Aparecido. "A vacinação de crianças é mais demorada. Essa quantidade de vacina limitada pode ajudar um pouco a ajustar a pressão da demanda. Vamos ver se mandar mais alguma coisa até quarta-feira, a gente avança rapidamente. Do jeito que a gente vacina rápido, a vacina pode acabar amanhã (terça-feira)."

O cenário é semelhante na capital fluminense. As 33 mil doses do imunizante para crianças já recebidas garantem a campanha somente até amanhã. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, o Rio só conseguirá cumprir o calendário da semana com a chegada de mais 33 mil doses.

A capital paulista vacina nesta primeira etapa crianças com comorbidade, deficiência permanente (física, sensorial ou intelectual) ou indígenas aldeados e quilombolas —a vacinação no público sem comorbidades ainda não tem data para começar, a depender do recebimento de novas doses.

Já a Prefeitura do Rio de Janeiro divulgou um calendário que deu início hoje a partir dos 11 anos. Crianças com comorbidades podem ser vacinadas a qualquer momento.

Em São Paulo, expectativa por ampliação da vacinação

Embora a Prefeitura de São Paulo tenha anunciado que escalonaria a imunização por idade, a partir dos 11 anos, nos postos visitados pelo UOL a vacinação pediátrica foi reservada aos indígenas, quilombolas e crianças com comorbidades e deficiência.

Em São Paulo, o Grajaú (zona sul) —a região com mais crianças na capital paulista, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), teve movimento fraco ao longo da manhã de hoje. Na UBS (Unidade Básica de Saúde) Anchieta, os agentes de saúde afirmaram que apenas duas mulheres haviam aparecido para pedir informações sobre a vacinação infantil.

Pouco tempo depois, a operadora de monitoramento Fernanda Souza, 37, chegou com a filha de 10 anos, Cinthia Cibele Souza Rodrigues, para vaciná-la contra a covid-19. Mesmo com asma e bronquite, a garota não conseguiu se imunizar porque a mãe não levou atestado médico comprovando a comorbidade. "Vou voltar daqui a dois dias", afirmou.

"Eu vim tomar a 3ª dose e aproveitei para vacinar a minha filha, mas faltou o atestado", afirmou ao UOL. "Eu acho que o governo deveria explica melhor isso tudo em campanhas de informação."

A alguns quilômetros dali, na UBS Cantinho do Céu, apenas uma criança havia aparecido para se vacinar. "Quando o governo perceber que não vem ninguém, vão liberar para todo mundo", afirmou uma agente de saúde. A expectativa dela, no entanto, é de que a vacinação para todas as crianças só comece na semana que vem.

A criança na sala de espera na UBS era o menino Cristian Amorim Patez, 11, autista. Ele aguardava atendimento há 30 minutos ao lado da mãe, a dona de casa Bárbara Amorim do Santos, 33, ansiosa pela imunização do filho.

"Eu gostei muito de terem liberado a vacina para as crianças. Ele só não tinha tomado antes porque não tinha idade", contou.

"Com a vacinação dele, vou ficar mais tranquila para manda-lo à escola", disse. "Muitos acham que vacinar é perigoso, mas para mim, vacina salva vidas."

Também no Grajaú, a UBS Gaivotas dispunha de doses, mas a procura era baixa. Enquanto o UOL esteve no posto, apenas uma menina com Síndrome de Down esperava para tomar vacina, porém a mãe preferiu não conceder entrevista por um problema na voz.

Na unidade, as enfermeiras informavam a quem esperava atendimento que, se tivessem filhos de 5 a 11 anos sem comorbidade ou deficiência, que anotassem os dados do filho em uma lista na recepção. "Vamos entrar em contato depois das 19h para não perder vacina", afirmou.

No Rio, livros e certificado de coragem após a vacina

A vacinação no Rio deu brindes e certificados de coragem às primeiras crianças vacinadas. Após a atleta Marion Timóteo, de 11 anos, receber a primeira dose infantil da vacina contra a covid-19, postos de saúde e escolas começaram a aplicar o imunizante em outras crianças. De acordo com o calendário da cidade, hoje vacinam-se meninas de 11 anos, amanhã os meninos dessa idade e a quarta-feira (18) é reservada à repescagem.

Na Escola Municipal Prudente De Moraes, na Tijuca, zona norte carioca, as meninas recebiam um livro de sua escolha após a vacinação. Por volta das 10h, Amanaiara Soares,11, chegou ao local para se vacinar. Nas últimas semanas, os pais da menina foram diagnosticados com a doença, mas ela passou ilesa, graças ao isolamento.

Ao ver a filha sem ver amigos e professores, a família permitiu que ela voltasse às aulas presenciais em 2021. Mas sem vacina, sempre havia uma apreensão. Agora, com a dose da vacina, a preocupação diminui um pouco, diz o pai.

"Só faltava ela se vacinar, agora estamos aliviados. Ela pode ir para a escola mais tranquila", disse Herbert Medeiros, 48.

No mesmo local, a pequena Sofia Lau, 11, recebeu sua dose de vacina. Para a mãe, Cláudia Lau, 48, a preocupação era levar a filha logo pela manhã. "Eu estava com medo da agulha, mas foi rapidinho", disse a menina.

Cláudia conta que todos da família já estavam vacinados até com a terceira dose. "Ela poderia estar com a segunda dose na volta às aulas, se não tivesse demorado tanto [a compra e autorização de vacinas], mas a primeira já alivia", disse a mãe.

*Com informações de Estadão Conteúdo'

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