OMS pede que mulheres se protejam contra zika, mas reafirma que maioria dos nascimentos é normal

Stephanie Nebehay

Em Genebra

  • Ueslei Marcelino/Reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselhou, nesta quarta-feira, mulheres em áreas com presença do zika vírus a se protegerem, especialmente durante a gravidez, utilizando roupas para evitar picadas de mosquitos e praticando sexo seguro, mas ressaltou que a maioria das grávidas nesses locais deve dar à luz "crianças normais".

A entidade emitiu recomendações para mulheres a respeito de microcefalia e outros problemas neurológicas ligados ao Zika, que foi encontrado em mais de 30 países incluindo o Brasil, que relatou uma ligação do vírus com bebês nascidos com microcefalia.

A agência das Nações Unidas, baseada em Genebra, não recomendou restrições de viagens, mas sugeriu que mulheres consultem seus médicos e autoridades locais caso pretendam viajar.

Mais provas são necessárias para confirmar se a prática de sexo transmite o Zika, disse a organização, notando que o vírus foi encontrado em sêmen e citando relato de transmissão via sexo nos Estados Unidos. Não há vacina nem tratamento para o Zika.

"Até que se saiba mais, todos os homens e mulheres vivendo em ou retornando de uma área onde o Zika esteja presente -especialmente mulheres grávidas e seus parceiros- devem ser aconselhados sobre riscos potenciais de transmissão sexual e garantir práticas sexuais segura. Isso inclui o uso correto e consistente de preservativos, um dos métodos mais eficientes de proteção contra todas as infecções transmitidas sexualmente", disse a OMS.

Para mulheres grávidas, em geral, incluindo aquelas que desenvolverem sintomas de infecção por Zika, é aconselhável serem monitoradas por seus médicos.

A OMS, no entanto, também buscou reassegurar as gestantes: "a maioria das mulheres em áreas afetadas pelo zika darão à luz crianças normais".

Microcefalia é uma rara má-formação craniana em que um bebê nasce com uma cabeça pequena ou a cabeça para de crescer após o nascimento. A condição pode resultar em atrasos no desenvolvimento da criança assim como em ataques epiléticos, perda de audição, problemas de visão e problemas para engolir. 

"Exames de ultrassom precoces não preveem microcefalia com confiança, exceto em casos extremos", disse a OMS.

O vírus foi detectado em leite materno, mas não há evidências de que seja transmitido para bebês por amamentação, disse a entidade. As atuais recomendações da OMS permanecem válidas, em particular amamentação exclusiva pelos primeiros seis meses de vida.

O surto de Zika nas Américas levantou questão sobre os direitos reprodutivos de mulheres na região, incluindo aborto.

"Mulheres que desejam terminar uma gravidez devido ao medo de microcefalia devem ter acesso a serviços seguros de aborto dentro da lei", disse a OMS.

 

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