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Vazamentos da Lava Jato teriam sido protegidos por "geladeira antiescuta"?

Rafael Marchante/Reuters
Moro disse não ter visto nada ilegal nas conversas atribuídas a ele pelo site The Intercept Brasil Imagem: Rafael Marchante/Reuters

Janaina Garcia

Colaboração para o UOL

2019-06-12T14:13:34

2019-06-13T17:26:52

12/06/2019 14h13Atualizada em 13/06/2019 17h26

Resumo da notícia

  • O vazamento de conversas entre integrantes da Lava Jato reacendeu a discussão sobre a ação de hackers
  • Em 2013, o ex-agente da CIA Snowden usou uma "geladeira antiescuta" para proteger celulares. Será que a prática teria evitado o roubo de informações?
  • Especialistas explicam que existe uma diferença entre proteção contra grampo e proteção contra hackeamento de sistema online

O vazamento de diálogos virtuais entre integrantes da força-tarefa da Lava Jato, esta semana, pelo site The Intercept Brasil, deu novo gás aos debates sobre ação hacker e sobre o quão vulneráveis podem estar quaisquer um de nós no ambiente online-- até mesmo, segundo os próprios, coordenadores da chamada maior operação contra corrupção da história do Brasil.

A série de reportagens foi coordenada pelo jornalista norte-americano e fundador do site Glenn Greenwald, que, em 2013, comprovou, em parceria com o ex-agente da CIA e da NSA Edward Snowden, o monitoramento indevido de informações privadas em massa pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

Figura central na publicidade do escândalo, Snowden insistiu na época que, durante um encontro com advogados seus em Hong Kong, um jornalista do The New York Times e o restante do grupo guardassem seus celulares dentro da geladeira do local em que estavam a fim de bloquear algum tipo de espionagem --no filme "Snowden" (2016), baseado na história, foi usado um micro-ondas. A explicação sobre isso, segundo o analista, vinha da proteção antiescuta presente nas paredes desses eletrodomésticos.

Diante da polêmica e da ligação de Snowden com o responsável pelo site que divulgou os vazamentos, surgiu uma dúvida: será que a tática usada pelo ex-agente da CIA poderia ter protegido os celulares dos integrantes da Lava Jato?

Antes da resposta, é preciso lembrar que as conversas vazadas envolvendo especialmente o procurador Deltan Dallagnol e o ex-juiz federal e agora ministro da Justiça Sérgio Moro foram trocadas pelo aplicativo Telegram. A empresa negou que o conteúdo interceptado tenha vindo de uma falha de segurança de seus serviços. De qualquer forma, a polícia investiga de que forma os celulares dos envolvidos foram hackeados.

"Geladeira antiescuta" funcionaria?

Para especialistas no assunto consultados pelo UOL Tecnologia, a resposta é não. Há uma diferença entre hackeamento virtual e grampo de celular.

No caso da "geladeira antiescuta", a estratégia poderia até ser usada para evitar que uma conversa que estivesse acontecendo próxima ao aparelho fosse interceptada por pessoas mal-intencionadas (que usam as mais diferentes formas para conseguir acessar o dispositivo eletrônico).

Mas, no caso de conversas que acontecem no ambiente virtual, a proteção não funcionaria, explica João Carlos Lopes Fernandes, professor do curso de engenharia de computação do Instituto Mauá de Tecnologia e doutor em engenharia biomédica ligada à área de computação.

O engenheiro eletricista Antonio Gianoto, professor do curso de engenharia elétrica do Centro Universitário FEI, também concorda. Ele explica que o sistema antiescuta da geladeira funciona como um isolamento total do ambiente, impedindo qualquer interferência eletromagnética (usada para interceptar áudios).

"O princípio é conhecido como 'gaiola de Faraday' [que funciona como blindagem eletrostática]. Na citada situação, o aparelho não realizaria e nem receberia qualquer tipo contato, pelo isolamento mencionado, tornando-o inútil", explica Gianoto.

Para Fernandes, a ação mais segura nos momentos em que desconfiamos de que nosso dispositivo está sendo acessado indevidamente é desligá-lo, já que a comunicação com a rede de internet será interrompida.

Como nos proteger?

Em relação a um possível hackeamento dos nossos celulares, os especialistas de segurança sempre recomentam:

  • Manter o sistema operacional atualizado;
  • Ter antivírus instalado e sempre verificar suas atualizações;
  • Evitar clicar em links suspeitos (com caracteres estranhos e/ou com endereços que você não conhece).

Sobre a última dica, o professor Fernandes explica que uma das táticas mais comuns de hackers é o envio de um link disfarçado com um código malicioso pelo WhatsApp ou pelo Telegram.

Quando o usuário clica, ele é redirecionado a uma página fake (onde os dados pessoais podem ser roubados) ou um programa espião é instalado no celular. Depois disso, fica mais fácil o hacker conseguir acesso total ao aparelho da vítima. E, consequentemente, acessar conversas, fotos, áudios e tudo o que estiver dentro do aparelho.

Por isso, ficou na dúvida? Não clique.

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