Justiça chilena pede aos EUA extradição de ex-agentes da ditadura

Em Santiago (Chile)

  • Reprodução

    3.jul.1999 - Orlando Letelier, ex-chanceler e ex-embaixador chileno em Washington durante o governo do presidente Salvador Allende, trabalhava em um centro de pesquisas dos EUA e liderava uma campanha internacional contra o general Augusto Pinochet quando foi morto em uma explosão, em 1976

    3.jul.1999 - Orlando Letelier, ex-chanceler e ex-embaixador chileno em Washington durante o governo do presidente Salvador Allende, trabalhava em um centro de pesquisas dos EUA e liderava uma campanha internacional contra o general Augusto Pinochet quando foi morto em uma explosão, em 1976

A Suprema Corte do Chile aprovou nesta terça-feira (17) um pedido de extradição aos Estados Unidos de três agentes da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), processados como autores do assassinato do diplomata espanhol Carmelo Soria, ocorrido em Santiago em 1976.

O Superior Tribunal de Justiça "solicitou aos Estados Unidos a extradição do chileno Armando Fernández Larios, do norte-americano Michael Vernon Townley Welch e do cidadão cubano Virgilio Paz Romero", assinalou o comunicado divulgado pelo poder Judiciário.

O pedido chileno se ampara no tratado de extradição existente entre ambos os países, esclareceu o comunicado.

O sequestro e posterior assassinato de Carmelo Soria foi ordenado por Manuel Contreras, ex-chefe da Polícia Secreta da ditadura de Pinochet, a temida DINA, falecido em 2015 enquanto cumpria pena por violação dos direitos humanos, incluindo o caso do diplomata espanhol, que somava mais de 500 anos.

Após a decisão da Suprema Corte, o Ministério de Relações Exteriores ficará encarregado de levar o pedido a Washington.

Michael Townley e Fernandez Larios estão sob o sistema de proteção a testemunhas dos Estados Unidos pois decidiram colaborar com a Justiça norte-americana após serem acusados de autoria do atentado ocorrido em Washington em 1976 e que custou a vida do ex-chanceler chileno Orlando Letelier e de sua assistente norte-americana Ronni Moffitt.

Virgilio Paz Romero, no entanto, foi liberado em 1991 após cumprir uma sentença de 12 anos e meio pelo assassinato de Letelier e Moffitt.

Letelier, embaixador em Washington, chanceler e ministro da Defesa do governo do presidente socialista chileno Salvador Allende, que foi derrubado, foi assassinado junto com Moffitt na explosão de uma bomba que destruiu o automóvel em que ambos estavam.

A ditadura Pinochet deixou em torno de 3.200 mortos e desaparecidos, segundo números oficiais.

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