Capacetes Brancos, os verdadeiros heróis da guerra na Síria

Beirute, 8 Out 2016 (AFP) - Alguns são padeiros, outros são pintores ou até estudantes. Eles têm em comum o fato de ter deixado de lado sua antiga vida para se integrar aos Capacetes Brancos da Síria e socorrer as vítimas da guerra.

Candidatos ao prêmio Nobel da Paz, com o apoio de uma petição assinada por milhares de pessoas, finalmente não conquistaram o prêmio, que foi concedido ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos. Mas, para estes 3.000 socorristas, "salvar a vida continua sendo o prêmio mais importante" que podem receber, segundo a declaração de seu responsável, Raed Saleh.

O grupo de resgatistas se tornou mundialmente famoso por seus vídeos nas redes sociais, que testemunham uma valentia a qualquer custo no momento de ir ajudar as vítimas da guerra, em especial em operações de salvamento de crianças.

Os Capacetes Brancos operam em território rebelde - dizem estar proibidos de trabalhar em zonas sob o controle do governo, embora aleguem ser neutros - e costumam ser os primeiros a chegar nos locais que acabam de ser bombardeados, para começar a escavar, às vezes apenas com as mãos, em busca de sobreviventes presos sob os escombros.

Uma imagem que deu a volta ao mundo relata a história de Mahmud, um bebê de dois meses resgatado após 12 horas de trabalho sob os escombros de um edifício bombardeado em Aleppo em julho de 2014.

Khaled, o resgatista daquele bebê, morreu há dois meses durante um bombardeio, informou o grupo. Tinha 31 anos, esposa e dois filhos e trabalhava como pintor e decorador. Foi a vítima 142 da organização.

- "Uma coragem excepcional" -Outro vídeo mostra um voluntário desta organização que começa a chorar ao pegar nos braços uma bebê de quatro meses que acaba de ser resgatada após um bombardeio.

"Trabalhamos duas horas para retirá-la dos escombros e graças a Deus está viva", relata o resgatista.

O grupo nasceu em 2013 em plena guerra, que até o dia de hoje deixou mais de 300.000 mortos e provocou o exílio de milhões de cidadãos sírios.

Muitas celebridades manifestaram seu apoio a estes resgatistas voluntários, que também foram tema de um documentário transmitido pelo Netflix.

No fim de setembro, os Capacetes Brancos receberam o prêmio sueco Right Livelihood, para alguns um Nobel alternativo, em reconhecimento a "sua coragem excepcional, sua compaixão e seu compromisso humanitário".

O grupo, que conta com 78 mulheres, é financiado com donativos de particulares, mas também de países, entre eles Grã-Bretanha, Holanda, Dinamarca, Alemanha, Japão e Estados Unidos. Com os fundos compram seus equipamentos, entre eles seus famosos capacetes brancos, que custam cerca de 150 dólares cada um.

Alguns de seus membros puderam receber treinamento de busca e resgate no exterior e, ao retornar, transmitiram as técnicas aprendidas aos demais voluntários.

- Heróis cotidianos -Atualmente a organização tem 120 centros nas oito províncias sírias controladas pelos rebeldes.

"Somos independentes, neutros e imparciais. Não estamos filiados a nenhum partido político ou facção armada", declarou no mês passado à AFP Raed Saleh.

"Nossa meta é salvar pessoas, independentemente de qual seja sua inclinação política ou religiosa", acrescentou o responsável.

Seu lema, extraído do Alcorão, é: "Aquele que salva um único homem salvou a Humanidade inteira".

O grupo também é alvo de algumas críticas, em especial entre os partidários do governo do presidente Bashar al-Assad, que os acusam de ser fantoches dos doadores internacionais, sobretudo dos países que apoiam a rebelião contra Damasco.

Outros sustentam que entre os capacetes brancos há extremistas, baseando-se em fotos de supostos capacetes brancos com armas.

Mas as críticas são mínimas diante da onda de apoio recebido por estes voluntários, que reivindicam que seu único objetivo é salvar vidas.

sah/mjg/mb/app-es.

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