Adolescente foi o autor de atentado contra santuário, diz Paquistão

No Paquistão

  • Shakil Adil/ AP

    Paquistanesas lamentam morte de parentes mortos em atentado

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Um camicase adolescente é o responsável pelo atentado que matou 52 pessoas no sábado (12), em um santuário sufi do sul do Paquistão, informou um dirigente da província do Baluquistão.

"Foi um atentado suicida. Encontramos partes do corpo do autor do ataque, que mostram que tinha entre 16 e 18 anos", afirmou o secretário dos Assuntos Internos, Sarfraz Bugti.

"Não podemos afirmar por ora que grupo cometeu o atentado, mas todos os grupos terroristas são os mesmos e coordenam os ataques", acrescentou.

O gruo Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do ataque, em um comunicado da agência Amaq.

A explosão aconteceu em meio a uma multidão de fiéis, durante uma cerimônia no santuário de Shah Noorani, declarou à AFP o representante do governo local Javed Iqbal.

O sufismo é um braço místico do Islã e considerado herege por grupos islamitas radicais. Os fiéis dançavam em uma cerimônia tradicional que acontece diariamente antes do crepúsculo.

"Trinta e cinco fiéis xiitas mortos e 95 feridos em uma operação de martírio executada por um combatente do EI em um santuário numa cidade do Baluchistão", informou a agência.

A localidade fica a 760 km da capital provincial, Quetta, motivo pelo qual os socorristas têm dificuldade para chegar à região, montanhosa, com poucas instalações médicas.

Autoridades enviaram reforços de Karachi, localizada a três horas de carro do local da explosão.

O porta-voz do Exército, general Asim Bajwa, disse que os reforços foram enviados, mas que "a dificuldade do terreno e a distância" freiam seu avanço.

Segundo o general Bajwa, 20 ambulâncias e 50 soldados estavam a caminho, assim como outra caravana, de 45 ambulâncias e 100 tropas, transportando unidades médicas.

O presidente do país, Mamnun Hussain, e o primeiro-ministro, Nawaz Sharif, condenaram o atentado.

"O governo está determinado a eliminar do país o terrorismo e o extremismo", disse Hussain em um comunicado, em que expressou condolências.

O gabinete de Sharif informou que o premier pediu que seja oferecido aos feridos "o melhor tratamento médico possível".

Em junho passado, o assassinato do famoso cantor sufi Amjad Sabri em Karachi, metrópole do sul do Paquistão, causou uma onda de indignação no país. Ele foi morto por dois homens que estavam em uma moto, e a polícia se referiu ao crime como "ato de terrorismo".

Fronteiriça com Irã e Afeganistão, a província do Baluchistão é a mais pobre do Paquistão, apesar de sua receita do petróleo e gás e de sua abertura para o Mar da Arábia.

São frequentes no local os conflitos entre comunidades e atos de violência cometidos por islamitas. Desde 2004, atua na região uma rebelião separatista.

A província é uma área-chave para as ambições regionais da China, que deseja concluir um corredor que lhe permita acesso ao Mar da Arábia. A obra requer um investimento de US$ 46 bilhões e foi alvo de atentados de grupos separatistas.
 

Estado Islâmico reivindica ataque a santuário no Paquistão

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