No norte da Itália, o 'espumante' adormece no fundo de uma mina

Prali, Itália, 31 dez 2016 (AFP) - Uma mina de talco, nos Alpes italianos, foi transformada pelo italiano Mauro Camusso na adega perfeita para um refinado vinho "espumante", um método original que lhe permitiu combinar sua experiência nas montanhas com a paixão pelo bom vinho.

"O desafio era produzir um vinho espumoso em nosso território", contou Camusso, dono da vinícola Autin, nas ramificações dos Alpes, 50 quilômetros a sudoeste de Turim.

Fiel à tradição herdada de seu avô vinicultor, Camusso plantou em 2010, com o apoio de um sócio, quatro hectares de uva Chardonnay e Pinot Noir, que deram sua primeira colheita em 2013 e seu primeiro vinho no ano seguinte.

No ano passado produziu três mil garrafas e conseguiu a fermentação com açúcar e alguns gramas de levedura, de acordo com o método da champanhe, após o qual foi depositado na parte inferior da mina de talco de Val Germanasca.

Inaugurada em 1937, a mina conta com intermináveis galerias, e, por isso, deixaram de explorá-la em 1995, pois as modernas máquinas não passavam pelos corredores. Desde então, a transformaram em um "museu ecológico" para os visitantes que percorrem as belezas naturais da região.

"As condições na mina de talco são muito especiais", reconhece Camusso, que entra com a clássica lamparina de mineiro para depositar suas garrafas, a mais de 300 metros da entrada.

"A temperatura é de 10 graus durante todo o ano, obviamente reina a escuridão e a umidade é de 90%. São as condições perfeitas para que as bolhas amadureçam", assegura.

De prestígioAs garrafas são de vidro grosso para suportarem a pressão da fermentação, permanecendo entre 10 e 12 meses em posição horizontal.

Costumam ser agitadas de vez em quando para que a levedura se distribua melhor e as bolhas sejam menores.

Sucessivamente, as garrafas são colocadas ao contrário, em posição vertical, por três semanas, para, gradualmente, dar a volta de um quarto todos os dias até que a levedura se deposite no pescoço da garrafa.

De lá, é retirada com uma máquina especial que congela a substância, destampada e os sedimentos congelados, antes de voltarem a fechá-la com a tradicional rolha de cortiça da champagne.

As primeiras garrafas foram destampadas em outubro, com antecedência, e os resultados são animadores.

"O produto corresponde ao seu prestígio", sustenta Camusso. E, realmente, as bolhas explodem na boca, segundo constataram os jornalistas da AFP.

Entretanto, é muito cedo para determinar se a mina de talco, além das condições climáticas ideais, oferece "algo extra" para esse tipo de vinho.

Para a mina, ao contrário, a presença de adegas é um atrativo a mais, apesar de ser um pequeno espaço fora do circuito para os turistas.

"Se abandonarem as minas, elas se fecharão de forma natural", sustenta Andre Peyrot, funcionário do museu.

"Sem manutenção, entram em colapso. A adega é uma maneira de dar vida a ela", acrescenta.

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