Sobrevivente narra horror para escapar de boate turca

Istambul, 1 Jan 2017 (AFP) - Deveria ser uma noite de festa, que ajudasse a esquecer as notícias ruins de 2016. Mas 10 minutos após a chegada à Reina, a boate mais elitista de Istambul, Sefa Boydas precisou fugir do caos e da morte semeada por um atirador fantasiado de Papai Noel.

"Justo no momento em que nos instalávamos perto da entrada, houve muita poeira e fumaça. Foram ouvidos disparos", explica à AFP este jogador de futebol profissional, que atua na modesta equipe Beylerbeyi de Istambul, da terceira divisão turca.

À 01h15 de domingo (20h15 de Brasília de sábado), um homem que havia acabado de matar um policial e um civil na entrada da casa noturna abriu fogo contra centenas de pessoas que comemoravam a chegada do Ano Novo na boate. Segundo as autoridades, 39 pessoas morreram, incluindo ao menos 16 estrangeiros.

"Provavelmente há mais (mortos), porque à medida que eu avançava, algumas pessoas pisoteavam outras", descreve Sefa Boydas, que chegou à Reina com duas amigas.

A cena que descreve reflete o pânico que se seguiu entre os presentes, muitos dos quais mergulharam no Bósforo para escapar das balas.

Ao ouvir os tiros, "muitas meninas desmaiaram", afirmou. Foi o caso de uma de suas amigas. "Levei-a nas costas e comecei a correr imediatamente".

"Não sei como consegui fugir", conta. "Em momentos como este, você não espera. Ouvíamos os tiros à esquerda, então corremos para a direita".

"Certamente cerca de 50 pessoas conseguiram escapar dessa maneira", acredita ele, ainda chocado.

A polícia chegou rapidamente, mas "não conseguiu tomar o controle da situação de forma imediata, (porque) não sabia quem era (o criminoso). Todos éramos suspeitos", afirma.

As autoridades falaram de um "terrorista", mas vários meios de comunicação turcos se referiram a "pelo menos" um atacante fantasiado de Papai Noel. De acordo com o ministro turco do Interior, Suleyman Soylu, a polícia ainda está procurando o atirador.

Ironicamente, o jogador de futebol não queria ir para a boate Reina, porque temia "uma briga, alguma coisa, uma bomba". A Turquia sofreu no ano passado vários atentados, muitos deles em locais frequentados por turistas, como esta casa noturna.

"Isso não pode acontecer em um lugar como o Reina!", disse um amigo a ele. Finalmente se convenceu. Mas "tive um pressentimento...", conclui.

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