'É um assassino de massas', diz cúmplice de Carlos, o Chacal

Em Paris

  • Reuters/Efe

    Carlos, o Chacal, em 2000 e 1975

    Carlos, o Chacal, em 2000 e 1975

"É um assassino de massas", afirmou nesta quinta-feira (16) o alemão Hans-Joachim Klein sobre seu ex-companheiro de armas Carlos, o Chacal, julgado em um tribunal francês mais de 40 anos depois de um atentado em Paris que deixou dois mortos e dezenas de feridos.

Citado como testemunha pela promotoria no quarto dia do julgamento, que durará 15 dias ao todo, Hans-Joachim Klein, ex-membro das células revolucionárias alemães, se mostrou severo em relação a seu antigo companheiro de armas.

"Na minha opinião, Carlos é um assassino de massas, com problemas de saúde mental", disse Klein, ou "Angie", que participou entre 1974 e 1976 de várias operações armadas sob comando do Chacal.

Entre estas ações, figura a espetacular tomada de reféns da Opep, em dezembro de 1975, em Viena, durante uma reunião dos ministros de petróleo, que deixou três mortos.

O testemunho de Klein, 69 anos, é um dos elementos-chave da acusação. Segundo ele, que ainda não conhecia Carlos na época do atentado contra a galeria localizada no bulevar Saint-Germain, em Paris, o terrorista contou anos mais tarde que foi ele o autor do ataque.

Para a acusação, o atentado de Paris se enquadrou no contexto da tomada de reféns na embaixada da França em Haia.

Um comando do Exército Vermelho Japonês (ERJ), braço da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) -- da qual Carlos era membro das "operações especiais" -- exigia a libertação de um de seus membros, detido no aeroporto parisiense de Orly dois meses antes.

"Carlos me contou que jogou a granada para que libertassem o japonês detido em Paris. Ele disse que pretendia jogar outras granadas contra teatros e cinemas, se não o libertassem. É o que me contou, mas não tenho provas", afirmou o alemão, que cumpriu pena de prisão em seu país pela tomada de reféns da Opep.

Carlos, cujo verdadeiro nome é Ilich Ramírez Sánchez, foi uma figura conhecida em todo mundo nos anos 1970 e 1980, considerado por alguns como o líder do terrorismo internacional e por outros um revolucionário de profissão.

Desde segunda ele comparece ante um tribunal penal de Paris para responder pelo atentado contra a galeria comercial da capital francesa.

Carlos, preso na França desde sua detenção no Sudão pela polícia francesa em 1994, já foi condenado duas vezes à prisão perpétua pelo assassinato de três homens, entre eles dois policiais em 1975 em Paris, e por quatro atentados com explosivos que deixaram 11 mortos e 150 feridos em 1982 e 1983, em Paris, Marselha e em dois trens.

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