Oposição venezuelana anuncia referendo sobre Constituinte em 16 de julho

Em Caracas

  • Palácio Miraflores/Reuters

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de evento em Caracas

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de evento em Caracas

A oposição venezuelana anunciou nesta segunda-feira (3) a realização, em 16 de julho, de um referendo para que a cidadania decida se está de acordo ou não com a convocação do presidente Nicolás Maduro para estabelecer uma Assembleia Nacional Constituinte.

"Que seja o povo que decida se rejeita ou desconhece a Constituinte convocada inconstitucionalmente por Nicolás Maduro", assinalou o presidente do Parlamento - de maioria opositora - Julio Borges, em um ato com setores da sociedade civil realizado no teatro de Chacao, leste de Caracas.

O chefe do legislativo indicou que os venezuelanos serão questionados sobre o papel "dos funcionários públicos e das Forças Armadas para restituir a ordem constitucional".

Uma terceira pergunta será direcionada para que "seja o povo que decida se convoca ou apoia a renovação dos poderes públicos que se encontram à margem da Constituição", segundo a iniciativa lida por Borges.

"Convocamos para este 16 de julho para escolher o futuro do país nesse processo nacional de decisão soberana e a partir deste momento defender o mandato definido neste processo, ativando assim uma fase superior de luta", ressaltou o parlamentar.

Borges indicou que a iniciativa será levada ao Parlamento para que ele convoque a consulta popular, mas não explicou como será organizado o plebiscito sem a participação do poder eleitoral, acusado pela oposição de servir ao governo.

"O processo será manual, mas ainda devemos definir o procedimento. Estamos começando do zero", advertiu o líder opositor Henrique Capriles ao destacar que a oposição concluirá tudo antes de 30 de julho, quando o poder eleitoral convocou a eleição dos membros da Assembleia Constituinte.

Capriles assegurou que a consulta popular será realizada paralelamente a uma escalada dos protestos realizados pela oposição desde 1º de abril, e que já fizeram 89 mortos.

A líder opositora María Corina Machado indicou que a oposição instalará 1.600 locais de coleta de votos para a consulta popular na Venezuela e 108 no exterior.

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