Coreia do Norte dispara míssil balístico

Seul, 4 Jul 2017 (AFP) - A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira um míssil balístico que caiu no Mar do Japão, informou a Coreia do Sul, dias após o presidente americano, Donald Trump, examinar com o novo líder sul-coreano, Moon Jae-In, a "ameaça" que Pyongyang representa.

O "míssil balístico não identificado" foi lançado de um sítio próximo a Banghyon, em Pyongan do Norte, uma província do oeste da Coreia do Norte, revelou o Exército sul-coreano em um comunicado.

O míssil caiu no Mar Oriental, como os coreanos chamam o Mar do Japão, após "voar várias centenas de quilômetros", revela a nota, sem precisar seu tipo.

Uma porta-voz do ministério sul-coreano da Defesa disse à AFP que o míssil pode ter caído dentro da zona econômica exclusiva do Japão, a menos de 200 milhas náuticas de sua costa.

O chefe de gabinete japonês, Yoshihide Suga, informou que o míssil voou "durante cerca de 40 minutos", um período inusualmente longo. "Este lançamento de míssil balístico jamais poderá ser tolerado. O Japão protestou energicamente com a Coreia do Norte por isto".

O Comando dos Estados Unidos no Pacífico confirmou que a Coreia do Norte realizou mais um teste de míssil, um vetor de médio alcance lançado de terra, que foi rastreado durante 37 minutos e caiu no Mar do Japão.

O comunicado destaca que o tiro não representou uma ameaça para os Estados Unidos.

Ao comentar o disparo, Trump exortou a China a adotar medidas decisivas contra a Coreia do Norte.

"Por acaso este cara não tem nada melhor a fazer na vida?" - tuitou Trump sobre o líder norte-coreano, Kim Jong-Un. "É difícil acreditar que Coreia do Sul e Japão suportem isto por mais tempo. Talvez a China endureça com a Coreia do Norte para acabar com esta tolice de uma vez por todas".

O lançamento ocorre horas antes da comemoração do 4 de julho, a festa nacional de Independência dos Estados Unidos, e em meio a escalada da tensão em torno das ambições nucleares da Coreia do Norte.

Após sua reunião com Moon Jae-In, na semana passada, em Washington, Trump disse que a "ameaça" norte-coreana exige uma "resposta firme".

Segundo David Wright, especialista da ONG Union of Concerned Scientists, a Coreia do Norte está ampliando o alcance de seus mísseis e este último, por suas características, poderia ter atingido "qualquer lugar" do Estado americano do "Alasca".

- Tensão crescente -Pyongyang já lançou vários mísseis desde a chegada de Moon ao poder na Coreia do Sul. O presidente sul-coreano defende a imposição de mais sanções para impedir que seu vizinho comunista desenvolva um arsenal nuclear e balístico.

Após o disparo desta terça-feira, Moon convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança Nacional em Seul para examinar a resposta.

Desde que chegou à Casa Branca, Trump tenta convencer a China a exercer sua influência para conter o governo da Coreia do Norte, o que até o momento não tem dado resultados.

Pyongyang tenta desenvolver um míssil balístico intercontinental capaz de transportar ogivas nucleares.

Sucessivos pacotes de sanções impostos pela ONU desde o primeiro teste nuclear norte-coreano, em 2006, não conseguiram dissuadir Pyongyang a abandonar seus programas.

A Coreia do Norte já realizou cinco testes nucleares subterrâneos, sendo dois em 2016, e afirma que vai desenvolver um míssil intercontinental capaz de atingir os Estados Unidos.

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