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Rebeldes sírios começam a abandonar penúltimo enclave em Ghuta

24/03/2018 16h37

Damasco, 24 Mar 2018 (AFP) - Os rebeldes sírios e seus familiares começaram a evacuar neste sábado (24) o penúltimo enclave em seu poder na região de Ghuta Oriental, próxima a Damasco, de onde mais de 100 mil civis fugiram desde o começo de uma violenta ofensiva do regime.

"Vários ônibus que transportavam 500 combatentes e suas famílias chegaram ao cruzamento de Arbin em preparação de sua saída de Ghuta", relatou a agência oficial Sana.

Esses veículos devem se dirigir para o norte da Síria, na região de Idlib, nas mãos da insurgência.

Ghuta Oriental, uma região a leste da capital de onde rebeldes bombardeiam regularmente posições do governo, tinha cerca de 400 mil habitantes antes do começo da ofensiva, em 18 de fevereiro.

Em pouco mais de um mês, mais de 1.600 civis morreram, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que ainda contabilizou 485 soldados do regime mortos e 310 rebeldes.

Após incessantes bombardeios aéreos do regime, com a ajuda da Rússia, dois dos três grupos rebeldes presentes na região aceitaram evacuar suas posição em Ghuta, sitiada desde 2013.

Na manhã deste sábado, aproveitando um cessar-fogo, civis saíram às ruas devastadas de várias cidades da região, em muitos casos pela primeira vez em semanas.

Entre os evacuados, estava Mohamad, de 20 anos. "Meu pai morreu em um bombardeio. E não pudemos tirar seu corpo dos escombros para enterrá-lo", lamentou à AFP.

Graças a um acordo apadrinhado pela Rússia, cerca de 7 mil combatentes do grupo rebelde Faylaq al-Rahman começaram a ir embora com suas famílias, deixando para trás parte de seu armamento, em uma zona ao sul de Ghuta.

"Estamos indignados de ter que deixar Ghuta, de ter abandonado nosso lar, a cidade onde sempre vivemos", indignou-se Abu Jaled, combatente de 28 anos.

Um porta-voz do grupo rebelde tinha justificado a evacuação anteriormente pela "situação humanitária catastrófica" no enclave, onde faltam alimentos e medicamentos.

"Agora podemos dormir em paz, a vida vai ser retomada", comemorou neste sábado Simon Merei, de 32 anos, morador de Damasco.

Contudo, neste sábado caíram bombas sobre a zona esportiva de Al Feyhaa em Damasco, causando a morte de um jovem e deixando sete feridos, segundo uma fonte policial.

O acordo concluído entre o regime e o grupo rebelde Faylaq al-Rahman inclui a evacuação de rebeldes das cidades de Arbin, Zamalka e Ain Tarma, em Ghuta, bem como partes do bairro de Jobar, em Damasco.

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