Paz com a Coreia do Norte não implica saída de soldados americanos, diz Seul

Em Seul

  • Ahn Young-joon/AP

    15.set.2013 - Soldados sul-coreanos e norte-americanos em Incheon, na Coreia do Sul

    15.set.2013 - Soldados sul-coreanos e norte-americanos em Incheon, na Coreia do Sul

O presidente sul-coreano, Moon  Jae-in, rejeitou nesta quarta-feira (2) a ideia da saída de milhares de soldados americanos presentes na Coreia do Sul, em caso de um tratado de paz com a Coreia do Norte.

Essas declarações surgem ao mesmo tempo em que o governo de Seul confirmava a mobilização de vários aviões de caça americanos F-22 "Raptor" na Coreia do Sul para manobras aéreas conjuntas.

Tecnicamente, as duas Coreias continuam em guerra, já que o conflito terminou em 1953 em virtude de um armistício, e não graças a um acordo de paz.

Na última sexta-feira, Moon e o dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, concordaram, durante uma cúpula histórica, em trabalhar para conseguir uma paz duradoura na península.

"As Forças dos Estados Unidos na Coreia (USFK) são uma questão que depende da aliança entre a Coreia do Sul e Estados Unidos. Não tem nada a ver com a assinatura de um tratado de paz", declarou Moon, referindo-se ao acordo bilateral que autoriza a presença de 28.500 militares americanos na Coreia do Sul.

Moon fez essa ressalva depois que um conselheiro presidencial ter dito abertamente que a presença de soldados, marines e pilotos americanos seria posta em xeque em caso de tratado de paz com Pyongyang.

O conselheiro Moon  Cung-in escreveu na revista "Foreign  Affairs" que seria "difícil justificar a manutenção (das forças americanas) na Coreia do Sul", após a assinatura da paz com o país vizinho.

A Casa Azul, sede da Presidência sul-coreana, depois pediu a seu conselheiro que "não provoque mais confusão", segundo seu porta-voz, Kim Eui-kyeom.

EUA fazem manobras com caças invisíveis

Depois de anos de uma crescente tensão, devido aos programas nuclear e balístico norte-coreanos, a península vive desde o início de 2018 uma distensão notável, materializada na cúpula intercoreana da última sexta-feira.

Esta deve ser o prelúdio de um encontro ainda mais esperado, entre Kim e o presidente americano, Donald Trump. Este último afirmou, na terça-feira, que a data e o lugar da cúpula serão anunciados em breve.

Na quarta-feira, a Coreia do Sul confirmou que vários caças invisíveis americanos F-22 "Raptor" foram mobilizados no território para realizar manobras aéreas conjuntas, apesar da recente aproximação com o regime norte-coreano.

F-22 "Raptor" já haviam sobrevoado a Coreia do Sul em dezembro, quando Seul e Washington realizaram seus exercícios aéreos, dias depois de a Coreia do Norte ter lançado um míssil balístico intercontinental (ICBM) com a capacidade de alcançar o território continental americano.

As autoridades norte-coreanas costumam reagir com veemência ao envio de caças americanos, os quais, segundo Pyongyang, poderiam lançar ataques contra a Coreia do Norte.

Desta vez, porém, Kim Jong-un se mostrou aparentemente mais conciliador, ao dizer em março ao enviado sul-coreano Chung Eui-yong que entendia a necessidade de Washington e de Seul fazerem exercícios militares conjuntos.

As manobras aéreas "Max Thunder" começarão em 11 de maio e vão durar duas semanas. Devem envolver uma centena de aviões de ambos os países.

"Max Thunder é um exercício regular que estava previsto muito antes de surgir o projeto de cúpula entre Estados Unidos e Coreia do Norte", indicou, em um comunicado, o Ministério sul-coreano da Defesa, que pediu à imprensa que evite "especulações" a respeito das intenções dessa operação.

O jornal conservador "Chosun Ilbo" havia afirmado antes que o objetivo dessa mobilização era aumentar a pressão sobre Pyongyang antes do encontro histórico entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

O "Chosun Ilbo" disse também que a chegada dos caças F-22 também poderia estar destinada a reforçar a segurança, caso a cúpula seja em Panmunjom.

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