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Equador endurece controle migratório para venezuelanos após feminicídio

21/01/2019 11h49

Quito, 21 Jan 2019 (AFP) - O Equador endureceu, no domingo (21), as medidas migratórias para os venezuelanos, após o feminicídio cometido por um homem dessa nacionalidade.

"Determinei a composição imediata de brigadas para controlar a situação legal dos imigrantes venezuelanos nas ruas, nos locais de trabalho e na fronteira", disse o presidente Lenín Moreno pelo Twitter, ainda sem divulgar detalhes, depois do atroz assassinato de uma grávida por parte de um venezuelano.

Moreno acrescentou que seu governo avalia ainda "a possibilidade de criar uma permissão especial de ingresso no país" para os venezuelanos, que até agora podiam entrar no Equador apresentando apenas sua identidade.

O presidente viajou no sábado para a Suíça, onde participará do Fórum de Davos.

Além disso, a partir desta segunda-feira, o governo passa a exigir um certificado judicial dos venezuelanos que desejarem entrar no território.

"Desde hoje e considerando-se que o governo venezuelano separou seu país da Comunidade Andina, vai-se exigir para todos os seus nacionais a apresentação do passado judicial comprovado", declarou o vice-presidente Otto Sonnenholzner por rádio e televisão.

Sonnenholzner acrescentou que os controles migratórios "serão fortalecidos" mediante um registro para conhecer com "maior precisão" a situação dos venezuelanos que estão no Equador.

"Esgotamos todos os esforços, mas a Venezuela se nega a entregar bases de dados que nos permitam verificar a informação de quem chega ao país", manifestou.

A ministra equatoriana do Interior, María Paula Romo, disse que a Chancelaria e outros Ministérios trabalham "para poder ter uma permissão especial, que permita cumprir os direitos relacionados à livre mobilidade, mas que, ao mesmo tempo, nos permita (...) garantir da melhor maneira os direitos dos cidadãos equatorianos".

Depois do feminicídio, a ministra disse que a polícia comprará armamento não letal para enfrentar a situação de insegurança.

Segundo ele, a morte da equatoriana "poderia ter sido evitada com o uso da força por parte da Polícia". María Romo determinou a mudança da governadora (representante do Executivo) e do chefe de Polícia da província de Imbabura (cuja capital é Ibarra), assim como "o envio imediato de forças especiais" da Polícia para a região.

Por volta da meia-noite de sábado, em Ibarra (norte), um venezuelano matou uma equatoriana grávida a facadas no meio da rua. O crime aconteceu quando ele estava cercado por policiais armados que decidiram não agir para evitar o crime.

No domingo, outro venezuelano feriu uma mulher durante um assalto, também com uma faca, em Cuenca, ao sul, de acordo com a imprensa local.

- Rejeição da população -O episódio em Ibarra deflagrou gestos de xenofobia e a rejeição da população, que chegou a agredir imigrantes venezolanos a pedradas. Os forasteiros começaram, então, a deixar essa localidade andina.

"As pessoas gritam obscenidades para nós. Por causa do problema de ontem à noite, não querem nos ver, jogam pedras. Por um, pagam todos", lamentou o venezuelano Juan Pablo Rúa, em declarações divulgadas pelo jornal equatoriano "El Universo".

Carregando apenas alguns pertences, Rúa e outros dez compatriotas que permaneciam em Ibarra decidiram seguir pela rodovia Pan-Americana Norte, que leva à fronteira com a Colômbia, completou.

Moradores tiraram os estrangeiros dos parques onde dormiam, queimaram objetos de alguns deles e os perseguiram até o norte da cidade para exigir que fossem embora, relatou o jornal.

Em Quito, uma marcha que já estava convocada para denunciar a violência contra a mulher por conta de um estupro coletivo rejeitou o feminicídio.

"O Equador é e será um país de paz. Não permitirei que nenhum antissocial tire essa paz de nós. A integridade das nossas mães, filhas e companheiras é minha prioridade", manifestou o presidente Moreno.

"Abrimos as portas aos venezuelanos, mas não sacrificaremos a segurança de ninguém", disse o chefe de Estado, que, depois de Davos, visitará a Universidade de Salamanca, na Espanha, na próxima sexta-feira.

O Equador estima que permaneçam no território cerca de 300.000 venezuelanos que fugiram da crise política e econômica em seu país.

Entre 2014 e 2018, mais de 1,2 milhão de venezuelanos entraram no Equador, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, que concedeu cerca de 97.000 vistos a demandantes dessa nacionalidade.

SP/rsr/tt

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