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Internacional

Atentado contra igreja no sul das Filipinas deixa 18 mortos

27/01/2019 19h08

Jolo, Filipinas, 27 Jan 2019 (AFP) - Ao menos 18 pessoas morreram nas explosões de duas bombas em uma igreja de uma ilha do sul das Filipinas, reduto da organização islamista Abu Sayyaf.

Reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), o duplo atentado aconteceu dois dias depois do anúncio da vitória do "sim" em um referendo sobre a criação da região autônoma de Bangsamoro, como parte do processo de paz com a insurreição muçulmana.

A primeira explosão se deu no interior da catedral de Nossa Senhora de Monte Carmelo, no centro de Jolo, durante a missa da manhã de domingo.

Quando as tropas chegaram ao local, a segunda explosão aconteceu em um estacionamento, informou o porta-voz militar da região, Gerry Besana.

Segundo um comunicado do EI, dois de seus militantes detonaram seus cinturões de explosivos neste domingo, informou o SITE, uma página especializada na vigilância de atividades terroristas on-line.

Fotos divulgadas pela polícia regional mostram escombros espalhados perto da entrada da igreja e um caminhão militar danificado.

Cinco soldados, um membro da Guarda Costeira e 12 civis morreram no ataque, enquanto 83 pessoas ficaram feridas, anunciou Besana.

O chefe da polícia regional, Graciano Mijares, divulgou um balanço diferente, que registra 20 mortos e 81 feridos.

"Usaremos toda a força da lei para levar os responsáveis por este ataque à Justiça", afirmou em um comunicado o secretário da Defesa, Delfin Lorenzana.

O Exército utilizou helicópteros para transportar alguns feridos até a cidade Zamboanga, onde receberão atendimento médico.

- Ato terroristaSalvador Panelo, porta-voz do presidente filipino, Rodrigo Duterte, condenou o "ato terrorista".

"Perseguiremos até o fim do mundo os cruéis autores desde crime até que cada um dos assassinos seja julgado e preso", frisou Panelo.

Do Panamá, o papa Francisco condenou hoje o duplo ataque e pediu a conversão do "coração dos violentos".

"Reitero minha mais firme reprovação por este episódio de violência, que enluta de novo esta comunidade cristã", disse o papa, durante a oração do Ângelus realizada na Cidade do Panamá.

"Elevo minhas orações pelos mortos e pelos feridos. Que o Senhor, Príncipe de la paz, converta o coração dos violentos e conceda aos habitantes daquela região uma serena convivência", acrescentou o sumo pontífice.

"Provavelmente foi um ato terrorista. São pessoas que não querem paz. É uma pena que isto aconteça pouco depois da aprovação da lei sobre Bangsamoro", reforçou o porta-voz Besana, em referência à região autônoma que os filipinos aprovaram criar, em um referendo organizado esta semana.

A ilha de Jolo é uma base do grupo islamita Abu Sayyaf, acusado pelos ataques mais violentos na história do país.

Abu Sayyaf é uma ramificação extremista da insurreição separatista muçulmana fundada em 1990 com o apoio da Al-Qaeda.

A província de Sulu, onde fica Jolo, votou contra a criação da região autônoma no sul das Filipinas, que as autoridades esperam que proporcione paz e desenvolvimento após décadas de combate.

Apesar da votação em Sulu, a legislação estabelece que a província deve integrar a nova entidade política, pois os eleitores da atual região autônoma se pronunciaram a favor em seu conjunto.

O estabelecimento desta zona em um território de maioria muçulmana - dentro de um arquipélago majoritariamente católico - busca restabelecer a paz depois de décadas de um conflito que deixou milhares de mortos.

Grupos muçulmanos se alçaram em armas nos anos 1970 para exigir a autonomia, ou independência, do sul das Filipinas, que consideram sua terra ancestral.

O principal grupo rebelde, a Frente Moro de Libertação Islâmica (MILF), assinou um acordo de paz com o governo em 2014. Nele, Manila previa a concessão de autonomia à minoria muçulmana em algumas partes da ilha de Mindanao e das ilhas do extremo-sudoeste.

Como estipulava o acordo, na segunda-feira passada 2,8 milhões de eleitores compareceram às urnas, e 1,7 milhão se pronunciou a favor da criação da região de Bangsamoro. Apenas 254.600 votaram contra a medida.

O processo de paz não inclui o Abu Sayyaf.

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