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Israel legaliza colônia na Cisjordânia a dois dias das eleições

15/09/2019 15h17

O governo israelense autorizou, neste domingo (15), a legalização de uma colônia na Cisjordânia ocupada, dois dias antes das eleições legislativas, cruciais para o futuro político do premiê Benjamin Netanyahu.

O anúncio foi feito dois dias antes das eleições legislativas israelenses, nas quais o Partido Likud, de Netanyahu, enfrenta a forte concorrência do Kahol Lavan (Azul e Branco), do ex-chefe do Estado-Maior do Exército, Benny Gantz.

No último dia oficial da campanha - em tese, os candidatos não podem organizar comícios na segunda-feira, véspera da eleição -, Netanyahu tirou um coelho da cartola, durante seu conselho de ministros, realizado excepcionalmente nesta fértil área.

Israel decidiu "transformar a colônia selvagem de Mevoot Jericó, situada no Vale do Jordão, em uma oficial", informou o gabinete de Netanyahu.

O Vale do Jordão é "um muro de defesa que será parte integrante de Israel (..) e que vai assegurar a presença eterna das nossas Forças Armadas", afirmou Netanyahu.

A Autoridade Palestina condenou a realização da reunião do gabinete ministerial nos Territórios ocupados e, sem mencionar a colônia diretamente, pediu à comunidade internacional que faça pressão sobre Israel, um governo que "mina todos os fundamentos do processo político (de paz)".

Legalizada pelo Direito israelense, a pequena colônia de Mevoot Jericó continuará sendo ilegal aos olhos da comunidade internacional, porém, como são todos os assentamentos nos Territórios palestinos ocupados.

"O governo segue dando provas de seu desprezo pela solução com dois Estados", afirmou a ONG israelense Peace Now.

Em um comunicado, a Procuradoria Geral de Israel confirmou que, apesar do contexto eleitoral, o governo tem a autoridade para tomar esta decisão sensível.

A colônia Mevoot Jericó fica perto de Jericó, a principal cidade palestina deste vale estratégico e coração da indústria agrícola, ao norte do Mar Morto.

"É um dia importante para o movimento dos habitantes de Judeia e Samaria", nome bíblico da Cisjordânia ocupada, reagiu Hananel Dorani, chefe do Conselho de Yesha, uma associação dos colonos israelenses nos Territórios ocupados.

"Esperamos que seja o início da soberania" israelense sobre "toda" Cisjordânia, acrescentou.

Na semana passada, Netanyahu prometeu anexar todas as colônias judaicas no Vale do Jordão, um território estratégico que representa cerca de 30% da Cisjordânia ocupada.

A declaração foi duramente criticada por funcionários palestinos. Caso venha a se concretizar, os palestinos avaliam que será a morte do processo de paz.

Embora seja favorável à anexação, uma parte da classe israelense considerou que o anúncio foi feito com fins eleitorais.

Netanyahu se comprometeu a anexar estes assentamentos judaicos "imediatamente" depois das eleições.

No sábado à noite, o presidente americano, Donald Trump, deu seu apoio à campanha de reeleição de Netanyahu, revelando suas conversas sobre um tratado de "defesa mútua", o qual espera poder continuar depois da votação.

Trump se absteve, porém, de comentar a promessa feita por Netanyahu para anexar parte da Cisjordânia.

"O Estado judeu nunca teve um melhor amigo na Casa Branca", tuitou Netanyahu, agradecendo a seu "querido amigo" Trump.

As últimas pesquisas de intenções de voto divulgadas na imprensa local apontam um pleito bastante disputado.

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