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Beco sem saída na política em Israel e Netanyahu pressionado após eleições

18/09/2019 19h56

Jerusalém, 18 Set 2019 (AFP) - O empate registrado nas legislativas israelenses de terça-feira (17) entre o partido do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o de seu grande rival, general Benny Gantz, aumenta a pressão sobre o chefe de governo e obriga os principais atores políticos a negociarem e fazerem concessões para formar uma coalizão.

Premiê há dez anos, Benjamin Netanyahu sempre soube dar a volta por cima nas urnas, mas, desta vez, pode não ser tão fácil. Neste delicado contexto da política doméstica, o premiê cancelou sua ida à Assembleia Geral da ONU, que acontece semana que vem, em Nova York. Ele também se reuniria com o presidente americano, Donald Trump, para discutir um possível tratado de defesa comum.

Citando fontes da Comissão Eleitoral, a imprensa israelense divulgou que, com mais de 95% dos votos apurados, a sigla de centro direita Azul e Branco, de Gantz, teria obtido 33 cadeiras, contra 32 do Partido Likud (direita) de Netanyahu, do total das 120 do Knesset, o Parlamento israelense.

Nem mesmo com o apoio de seus aliados, nenhum dos dois partidos conseguirá chegar aos 61 assentos, maioria necessária para governar.

"Vamos esperar os resultados finais (...) vamos esperar um dia, ou dois, e manifestar nosso desejo de um governo de união em Israel", disse Gantz nesta quarta-feira.

Horas antes, este general e ex-chefe do estado-maior convocou "um governo de unidade que reflita a vontade do povo".

"Iniciamos as negociações, e falarei com todo o mundo", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al Makiki, assegurou por sua vez nesta quarta-feira, em Oslo, que os palestinos estão dispostos a "retomar as negociações" com "quem seja capaz de formar um governo" em Israel.

Mas o presidente palestino, Mahmmud Abbas, se manifestou contra a formação de um novo governo liderado por Netanyahu.

"Nossa posição: contra Netanyahu", respondeu Abbas, durante uma visita a Oslo sobre que deveria formar o próximo gabinete israelense.

- Fim da "era Netanyahu"? -Menos conciliador, Netanyahu pediu a formação de um "governo sionista forte", sem a participação dos "partidos árabes antissionistas".

"Não pode haver e não haverá um governo que se apoie nos partidos árabes antissionistas, partidos que negam a existência de Israel como Estado judaico e democrático", declarou o chefe de governo.

Segundo a imprensa, a Lista Unida de partidos árabes seria a terceira força mais votada, com 12 cadeiras. Os partidos árabes já advertiram que se oporiam a Netanyahu como chefe de governo, sem deixar claro, porém, se ficarão claramente ao lado de Gantz.

"A era Netanayhu terminou", disse Ahmed Tibi, um dos líderes da Lista Unida. "Se Benny Gantz nos chamar, vamos lhe comunicar nossas condições para apoiá-lo", acrescentou.

Estas eleições eram cruciais para Netanyahu, que vai comparecer perante a Justiça em 3 de outubro para prestar depoimento sobre vários escândalos que o afetam e pelos quais pode ser formalmente acusado de corrupção, malversação e suborno. Nesse contexto, o primeiro-ministro espera obter a imunidade parlamentar que vem junto com a permanência no cargo.

Tudo indica que o Likud e o Azul e Branco deverão negociar entre eles e com outras siglas para formar um novo governo e evitar que se repita o que aconteceu em abril. Naquele mês, Netanyahu, então encarregado pelo presidente israelense de compor uma coalizão, não conseguiu os apoios necessários.

O Parlamento foi dissolvido, e novas eleições foram convocadas. À exceção do fortalecimento dos partidos árabes e da legenda Israel Beiteinu, do ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, o resultado foi muito similar ao de abril.

Para formar governo, Netanyahu pode ter à mão partidos ultranacionalistas, religiosos e Lieberman. Gantz, por sua vez, pode negociar com a esquerda e o Trabalhismo, minoritários, com os partidos árabes e também com Lieberman. É praticamente impossível, porém, que este último aceite fazer parte de um governo composto pelos partidos árabes e da esquerda.

É inegável que Lieberman, como aconteceu nas eleições passadas, será crucial nas próximas semanas, já que seu partido, o Israel Beiteinu, obteve nove cadeiras.

- "A doença do ódio" -Na quarta-feira, o ex-ministro da Defesa pediu um governo de "unidade nacional".

"Tem apenas uma opção para nós, e é a formação de um governo de união nacional entre Israel Beiteinu (seu partido), Azul e Branco e o Likud", afirmou, excluindo partidos judeus ultraortodoxos e as siglas árabes.

Lieberman fez campanha contra os religiosos ultraortodoxos, aliados do Likud, porque se opõe a que Israel se converta em um Estado religioso. Tampouco poupou críticas às formações árabes.

"Israel tem um problema. Nos últimos meses, o país teve uma ferida aberta. A doença do ódio nos invadiu (...) Algumas pessoas querem que as divisões entre direita e esquerda se acentuem, mas é justamente assim que nossa doença se espalha", disse o analista israelense Ben-Dror Yemini, no jornal "Yedioth Ahronoth".

Diante da situação, Netanyahu pode voltar a forçar novas eleições, em uma tentativa de conseguir resultados mais favoráveis. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, deixou claro, contudo, que é preciso formar um governo "o quanto antes" e evitar novas eleições.

Rivlin vai escolher um dos candidatos mais votados para compor o governo em um prazo de 28 dias.

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