Topo

Justiça pede prisão preventiva de ex-presidente paraguaio Cartes

19/11/2019 15h09

Brasília, 19 Nov 2019 (AFP) - A Justiça emitiu uma ordem de prisão preventiva contra o ex-presidente paraguaio Horacio Cartes em um caso de lavagem de dinheiro e incluiu seu nome na lista vermelha da Interpol.

O pedido, realizado por um juiz do Rio de Janeiro, busca desarticular uma organização criminosa vinculada ao cambista Dario Messer, preso em julho no Brasil após ser apontado como líder de uma rede de lavagem que operava no país, no Uruguai e no Paraguai, informaram a Polícia Federal e a Justiça.

Em sua decisão, o juiz Marcelo Bretas afirma que Cartes, rico empresário de 64 anos que governou o Paraguai entre 2013 e 2018, teria ajudado Messer, quando este estava fugindo das autoridades brasileiras, com uma transferência de 500.000 dólares "para seus gastos jurídicos" por intermédio de um amigo em comum.

Segundo a imprensa paraguaia, Cartes se encontra em sua casa de Assunção, onde nesta terça recebeu vários dirigentes políticos.

"Ele está tranquilo (...). Não reconhecemos a denúncia que levou à decisão do juiz. Cartes sempre respondeu que não teve vínculos comerciais ou societários com Messer. Nega isso de forma enfática. Cartes e Messer não são parceiros de negócios. Cartes está muito tranquilo", afirmou na capital paraguaia seu advogado Carlos Palacios.

O juiz Bretas expediu 17 mandatos de prisão preventiva, entre eles o de Cartes, e três de prisão temporária em vários estados de Brasil, Paraguai e Estados Unidos.

Segundo a PF, a investigação identificou cerca de 20 milhões de dólares ocultos, mais de 17 milhões em um banco nas Bahamas, e o resto dividido "no Paraguai entre doleiros, casas de câmbio, empresários, políticos e uma advogada".

A Constituição paraguaia estabelece que os ex-presidentes passam a ser senadores vitalícios com foro privilegiado. Para tirar sua imunidade, é preciso contar com o voto de dois terços do Senado. Esta câmara tem 45 assentos, e Cartes conta com maioria.

- 'Irmão de alma' -Apesar de o advogado de Cartes ter desmentido, o juiz Bretas detalha na decisão os vínculos estreitos da família do ex-presidente, uma das mais ricas do Paraguai, com a de Messer, que remontam aos anos 80.

Apelidado de "doleiro dos doleiros", Messer é investigado há décadas. Entre seus clientes está o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, preso desde o fim de 2016 e condenado a mais de 200 anos de prisão em vários casos de corrupção durante seu governo.

O magistrado afirma que o pai de Cartes era o principal acionistas de uma empresa fundada por Messer nos anos 80, Cambios Amambay SRL (atual Banco Basa). E que nesse período o pai de Messer acolheu Cartes, acusado de evasão de divisas, "como foragido da Justiça paraguaia".

"Na década de 90, HORACIO (Cartes) e DARIO (Messer) adquiriram uma fazenda juntos (...); já em 2016, em um evento público, HORACIO CARTES declarou que DARIO seria seu irmão de alma (hermano de alma)", escreve o juiz.

Cartes governou o Paraguai pelo conservador Partido Colorado, grupo que ainda está no poder com o atual presidente Mario Abdo Benítez.

jm/js/hro/gma/ll/cc

Notícias