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Bogotá tem toque de recolher por distúrbios e Duque pede 'diálogo nacional'

22/11/2019 23h43

Bogotá, 23 Nov 2019 (AFP) - O prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, decretou o toque de recolher nesta sexta-feira (22) em toda a capital colombiana, após a ocorrência de distúrbios e saques em meio aos protestos contra o presidente Iván Duque, que convocou um diálogo nacional.

"A partir das oito da noite (22H00 Brasília), toque de recolher nas localidades de Bosa, Ciudad Bolívar e Kennedy. A partir das nove da noite, em toda a cidade. Os dois toques permanecem até às seis da manhã de sábado", disse o prefeito em entrevista coletiva.

A medida não impediu que centenas de pessoas protestassem à noite diante da residência de Duque, no norte de Bogotá.

Os manifestantes cantavam o hino nacional e batiam panelas, desafiando o toque de recolher vigente na capital.

Em mensagem à Nação, Duque informou que "a partir da próxima semana, iniciarei um diálogo nacional que fortaleça a atual agenda de políticas sociais, trabalhando juntos em uma visão de médio e longo prazo que nos permitirá fechar as brechas sociais".

Duque afirmou que o diálogo se realizará "com todos os setores sociais e políticos", e "utilizará os meios eletrônicos e mecanismos participativos".

"Buscará ter um cronograma claro, para que todos possam edificar um caminho significativo de reformas", destacou o presidente.

Apesar das informações sobre a ausência de distúrbios, em todo o país, no sul de Bogotá ocorreram confrontos entre manifestantes e policiais em torno das estações de transporte público.

Também ocorreram saques e roubos, que as autoridades atribuíram a "atividades criminosas" e "excessos", sem relação direta com os protestos da véspera, os maiores dos últimos tempos contra o governo.

Peñalosa destacou que em Bogotá há "cerca de 20 mil" homens, entre policiais e militares, encarregados de manter a ordem pública, e que já ocorreram 230 capturas ligadas aos protestos.

"De nenhuma maneira vamos deixar que minorias de delinquentes destruam nossa cidade".

ente Ivan Duque informou no Twitter que se comunicou com Peñalosa para fazer uma "avaliação das recentes alterações na ordem pública".

- Leque de reivindicações -Centenas de manifestantes ocuparam nesta sexta-feira a Praça Bolívar, coração político da Colômbia, um dia após a greve nacional contra o governo de Duque.

A polícia de choque agiu para dispersar os manifestantes, constatou a AFP no local.

Os promotores dos protestos da véspera se afastaram das manifestações desta sexta. "A greve terminou (...). Hoje temos que voltar à normalidade", declarou Julio Roberto Gómez, presidente da Confederação Geral do Trabalho.

Sob um diverso leque de reivindicações, envolvendo desde as políticas econômicas e sociais do governo até a segurança, milhares de pessoas protestaram na véspera em toda a Colômbia.

Os protestos deixaram três mortos, 122 civis feridos levemente e 151 membros da força pública contundidos.

As três mortes ocorreram no departamento de Valle del Cauca, cuja capital é Cali. Dois óbitos foram registrados em Buenaventura, o principal porto do país, em um "confronto" com as forças públicas em uma tentativa de saque a um shopping center. A terceira vítima fatal foi registrada em Candelária.

Uma comissão oficial foi enviada para a área para "analisar em primeira mão os procedimentos" dos militares nos confrontos.

No total, 11 investigações foram iniciadas no país diante das denúncias de "possíveis ações irregulares" por policiais, em Bogotá, Cali, Manizales e Cartagena.

A ONG Anistia Internacional divulgou no Twitter que recebeu "testemunhos, fotos e vídeos extremamente alarmantes" de "uso excessivo da força" pela polícia.

A Colômbia, nação de 48 milhões de habitantes, tem crescimento econômico acima da média regional, mas altas taxas de desigualdade e desemprego.

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