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Bolsonaro questiona dados de mortes por coronavírus em São Paulo

27/03/2020 20h46

São Paulo, 27 Mar 2020 (AFP) - O presidente Jair Bolsonaro questionou nesta sexta-feira (27) os dados sobre mortes pelo novo coronavírus no estado de São Paulo, governado por João Doria, que fez críticas ao chefe do Executivo por sua gestão da crise causada pela pandemia.

"No Rio de Janeiro, até os dados de ontem (quinta-feira), nove óbitos e 58 em São Paulo. Eu sei que a população tem uma diferença, mas está muito grande para São Paulo. Não pode ser um jogo de números para favorecer interesses políticos. Não estou acreditando nesses números de São Paulo, até pelas medidas que ele (Doria) tomou", declarou Bolsonaro em entrevista por telefone à Band TV.

Há semanas, o presidente minimiza a gravidade da pandemia, que chama de "gripezinha" e empreendeu uma campanha contra as medidas de confinamento decretadas em muitos estados, entre eles São Paulo.

Segundo Bolsonaro, as medidas de isolamento social podem provocar um caos social, com saques a supermercados e representam uma ameaça para a normalidade democrática.

Doria, que pertence à ala conservadora do PSDB e foi aliado de Bolsonaro, vem se destacando como uma figura de referência pela gestão que vem fazendo da crise em São Paulo, que até esta sexta registrou 68 das 92 mortes pela covid-19 no país.

O governador impôs no estado mais rico e populoso do país (45,9 milhões de habitantes e um terço do PIB) uma quarentena que determina o fechamento de restaurantes, cafés e bares, bem como outros serviços não essenciais.

"São Paulo não está no caminho certo, a população já entendeu que ele [Doria] exagerou na dose, espero que ele tome um comprimido de humildade", declarou Bolsonaro.

Horas antes, Doria criticou a postura do presidente frente à pandemia. "Quase metade da população do planeta está em casa. O mundo inteiro está em casa e o único certo é o presidente Jair Bolsonaro? Será essa é a racionalidade: só um certo e o mundo inteiro errado? Reflitam sobre isso", declarou o governador.

Nesta tensão entre medidas de prevenção e atividade econômica, Bolsonaro assistiu nesta sexta-feira ao lançamento pelo Banco Central de uma linha de crédito de emergência de 40 bilhões de reais para que as pequenas e médias empresas possam pagar salários durante dois meses.

A Câmara dos Deputados, por sua vez, aprovou na noite da quinta-feira um projeto de distribuição de renda por três meses para trabalhadores informais, que variará entre 600 e 1.200 reais. O texto deve ser debatido agora no Senado.

- "O Brasil não pode parar" -Bolsonaro e um de seus filhos, o senador Flavio Bolsonaro (sem partido, RJ), promoveram em suas redes ações e mensagens que atacam a restrição de circulação como medida para conter o avanço do vírus.

O chefe de Estado divulgou na noite de quinta um vídeo de uma caravana de veículos celebrando a reabertura de lojas e escolas em Santa Catarina.

"O povo quer trabalhar", escreveu o presidente abaixo do vídeo.

Flávio, por sua vez, compartilhou no Facebook um vídeo assinado pelo governo federal com o slogan "O Brasil não pode parar".

No entanto, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou em um comunicado que o vídeo foi produzido em caráter experimental e que não chegou a ser aprovado, nem divulgado pelos canais oficiais.

Na quarta-feira, 26 dos 27 governadores do país se pronunciaram a favor de medidas de isolamento social.

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