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Aliados de Navalny têm vitórias simbólicas em cidade de suposto envenenamento

14/09/2020 08h25

Novosibirsk, Rússia, 14 Set 2020 (AFP) - Os aliados do opositor russo Alexei Navalny reivindicaram nesta segunda-feira (14) vitórias simbólicas em duas cidades da Sibéria, região em que ele foi supostamente envenenado, após eleições regionais dominadas pelo partido do Kremlin e marcadas por acusações de irregularidades.

Em 41 das 85 regiões russas, eleitores foram convocados a escolher os governadores, representantes nas assembleias regionais, ou municipais, e quatro deputados para o Parlamento nacional.

Os candidatos do partido governista, Rússia Unida, preeminente na vida política, apesar da queda de popularidade nos últimos anos, conquistaram a maioria das cadeiras em disputa, de acordo com o líder da sigla, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro Dmitri Medvedev.

"Nosso partido é o primeiro em todos os lugares onde foram realizadas eleições para os parlamentos regionais e em termos de mandatos obtidos", celebrou.

Apesar das eleições para governadores, os olhares estavam voltados para as disputas municipais em Tomsk e em Novosibirsk, na Sibéria, onde o principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, fazia uma investigação sobre a corrupção da elite local e organizava a campanha de seus aliados. No fim de agosto, porém, ele foi envenenado com um agente neurotóxico de tipo militar, identificado pelos médicos que o atenderam na Alemanha.

- Uma questão de princípio -Em Tomsk, os dois candidatos partidários de Alexei Navalny foram eleitos para o Parlamento municipal.

Andrei Fateev e Ksenia Fadeeva venceram em duas circunscrições, de acordo com os dados preliminares da Comissão Eleitoral.

Ao mesmo tempo, o Rússia Unida, legenda que apoia o presidente Vladimir Putin, foi o mais votado nesta cidade da Sibéria de 500.000 habitantes, com 24,46% dos votos. O resultado está muito longe, no entanto, dos 52,27% obtidos nas eleições.

E, no lugar de 32 cadeiras de um total de 37, o Rússia Unida terá apenas dez: as demais vagas foram distribuídas entre vários partidos.

"Acho que todos entenderão que vencer em Tomsk era uma questão de princípio depois do que aconteceu", tuitou Ksenia Fadeeva.

Em Novosibirsk, terceira maior cidade da Rússia e a mais importante da Sibéria, onde Alexei Navalny também fez campanha, sua coalizão conquistou cinco cadeiras, incluindo a de Serguei Boiko, líder de uma coalizão opositora.

O Fundo de Luta Contra a Corrupção (FBK) de Navalny - que quando não tinha candidato pedia votos para o aspirante com mais possibilidades de derrotar o partido do governo - reivindicou sua parte no sucesso de outras siglas.

Em um contexto econômico e social difícil, com acusações de corrupção e diante de uma impopular reforma das Previdência, a popularidade do partido de Putin registra forte queda a um ano das eleições legislativas de setembro de 2021.

Para as eleições do próximo ano, Rússia Unida tem apenas 30% das intenções de votos nas pesquisas.

- Ocidente contra a Rússia -O caso Navalny se tornou fundamental no fim da campanha eleitoral. Hospitalizado na Alemanha, o opositor de 44 anos saiu do coma na semana passada. Os países ocidentais pediram que Moscou investigue o caso, sob risco de sanções. O Kremlin rejeita a versão de envenenamento e denuncia acusações infundadas.

O governo alemão informou nesta segunda-feira que laboratórios da França e Suécia confirmaram o envenenamento de Navalny com uma substância neurotóxica do tipo Novichok, uma hipótese rejeitada pela Rússia.

O porta-voz da chanceler Angela Merkel, Steffen Seibert, disse que a Alemanha pediu a França e Suécia "uma revisão independente da evidência alemã a partir de novas amostras de Navalny", que está hospitalizado em Berlim.

"Os resultados da revisão em laboratórios especializados da França e da Suécia estão disponíveis e confirmam a evidência alemã", declarou Seibert.

Após as eleições, o governo russo pode celebrar a vitória de seus candidatos - 12 do Rússia Unida, cinco sem partido, um nacionalista - nas disputas pelos 18 cargos de governadores.

A ONG Golos denunciou a "arbitrariedade" dos diretores de vários centros de votação, que se recusaram a registrar denúncias de observadores. A organização foi informada sobre 1.570 violações.

"Praticamente não aconteceram irregularidades", rebateu a diretora da Comissão Eleitoral, Ella Pamfilova.

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