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Putin comemora extensão do tratado nuclear New START com os EUA

27/01/2021 12h03

Moscou, 27 Jan 2021 (AFP) - O presidente russo, Vladimir Putin, celebrou hoje a extensão do tratado de desarmamento nuclear New START por um prazo de cinco anos entre Rússia e Estados Unidos, o que representa um avanço para ambos os rivais geopolíticos em suas difíceis relações.

Esta prolongação "é, sem dúvida, um passo na boa direção", considerou Putin durante discurso em vídeo no Fórum de Davos, acrescentando que a ordem mundial continua correndo o risco de sofrer eventos "de maneira imprevisível e incontrolável".

O New START é o mais recente acordo bilateral desse tipo que liga as duas potências nucleares.

Sua extensão sugere uma melhora no diálogo entre Washington e Moscou, uma semana após a chegada de Joe Biden à Presidência nos Estados Unidos, embora os dois países já tenham alertado que permanecerão firmes em seus interesses nacionais.

"O acordo entre Moscou e Washington fica prorrogado pela máxima duração possível - cinco anos -, até 5 de fevereiro de 2026", afirmou a Duma, em um comunicado publicado em sua página institucional on-line, um dia depois do anúncio de um acordo entre Rússia e Estados Unidos nesse sentido. Faltavam poucos dias para o acordo expirar, no próximo 5 de fevereiro.

O presidente russo indicou que um novo conflito mundial significaria "o fim da civilização" e traçou um paralelo entre "os desafios e ameaças" que se multiplicam no mundo e o ocorrido nos anos 1930 que levou à Segunda Guerra Mundial.

"A amplitude das ameaças (naquela época e hoje em dia) é comparável (...) e nada disso favorece a estabilidade, o caráter previsível das relações internacionais", disse, lembrando que "a incapacidade de resolver este tipo de problema levou à guerra mundial no século XX".

Putin destacou que a pandemia de coronavírus acelerou as transformações sociais, econômicas e políticas em andamento, o que alimenta "as contradições" capazes de desestabilizar a ordem mundial.

- Interrupção com Trump -O sinal verde da Rússia ocorre um dia após a primeira conversa por telefone entre o presidente russo e seu novo homólogo americano. Durante a Presidência de seu antecessor na Casa Branca, Donald Trump, essas discussões foram interrompidas.

Após a conversa, Washington e Moscou informaram, na terça à noite, terem chegado a um acordo.

O acordo é visto como uma das poucas oportunidades de compromisso entre Moscou e Washington, cujos laços se deterioraram drasticamente nos últimos anos por causa de persistentes desacordos em relação a várias questões internacionais e mútuas acusações de interferência.

Assinado em 2010, o New START limita a 1.550 o número de ogivas nucleares por parte de Rússia e Estados Unidos. Ambos controlam os maiores arsenais nucleares do mundo.

O governo Trump concordou com uma extensão condicional do acordo por um ano, com o objetivo de negociar nesse meio tempo um pacto mais abrangente que incluísse a China. As negociações com Moscou e Pequim não tiveram sucesso.

Essas negociações ocorreram em pleno questionamento e saída de Trump de importantes acordos internacionais, como o acordo nuclear iraniano, o tratado de desarmamento sobre forças nucleares de alcance intermediário (INF) e o tratado de "Céus Abertos", referente à vigilância aérea.

A Alemanha celebrou o pacto, afirmando que traz "mais segurança" para a Europa, e pediu que se reverta "urgentemente" a retirada de Washington de outros acordos nucleares.

"No começo deste ano crucial para o desarmamento e o controle de armas, a prorrogação é um marco importante", declarou o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas.

- Disputas -Apesar de uma reaproximação sobre o tratado New START, Biden, que é visto como mais ofensivo para a Rússia do que seu antecessor, detalhou na terça-feira os assuntos aos quais se opõe quanto a Rússia de Putin.

Segundo seu porta-voz, o presidente dos Estados Unidos mencionou a "agressão" da Rússia contra a Ucrânia, o "envenenamento" em agosto do opositor russo Alexei Navalny, ou as acusações de interferência eleitoral e de ciberataques russos contra os Estados Unidos.

Na segunda-feira, a diplomacia russa protestou contra o papel da embaixada dos EUA e dos gigantes americanos na Internet durante as manifestações que mobilizaram dezenas de milhares de pessoas na Rússia para pedir a libertação de Navalny.

Um dos últimos chefes de Estado a parabenizar Biden por sua vitória em novembro, Putin declarou no final de dezembro que não esperava uma mudança radical nas relações entre Moscou e Washington.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, enfatizou nesta quarta-feira que as condições para uma "retomada" das relações entre a Rússia e os Estados Unidos "por enquanto" não foram satisfeitas.

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