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Francisco acredita que morrerá em Roma enquanto papa e que não retornará à Argentina

Em livro, papa Francisco disse que não sente falta da Argentina e contou sobre sua saúde - Reuters/Vaticano
Em livro, papa Francisco disse que não sente falta da Argentina e contou sobre sua saúde Imagem: Reuters/Vaticano

27/02/2021 17h27

O papa Francisco acredita que morrerá em Roma durante seu papado e que não voltará a viver na Argentina, seu país natal, segundo entrevista incluída no livro "A Saúde dos Papas", que teve trechos antecipados neste sábado (27) pelo jornal "La Nación", de Buenos Aires.

Durante um encontro com o jornalista e médico argentino Nelson Castro que teve lugar no Vaticano em fevereiro de 2019, o papa garantiu que pensa na morte, mas que não a teme. Perguntado como imagina a própria morte, Francisco respondeu: "Sendo papa, seja em exercício ou emérito. E em Roma. À Argentina não retorno".

Com essa resposta, ele conclui o livro "A Saúde dos Papas. Medicina, Complôs e Fé. De Leão XIII a Francisco", que chegará às livrarias na próxima segunda-feira na Argentina. "É um livro histórico, atemporal e único. Histórico porque tudo que se conta é certo e documentado; atemporal porque é uma história que supera qualquer ficção, e único porque, pela primeira vez, um papa fala de sua saúde com a clareza de Francisco", declarou o autor.

Durante a entrevista, Francisco, nome que ganhou quando foi eleito papa, em 2013, disse que não sente falta de seu país. "Não, não sinto. Vivi lá por 76 anos. O que me aflinge são seus problemas", disse o pontífice, de 84 anos. Ao se referir a episódios de sua saúde, esclareceu que não lhe falta um pulmão, mas que, em 1957, foi operado para a retirada do lóbulo superior do pulmão direito, onde tinha três cistos. O quadro não deixou sequelas. "A recuperação foi completa e nunca senti qualquer limitação nas minhas atividades."

Nascido na Argentina, considerado um dos países com maior proporção de psicólogos e psicanalistas por habitante, Francisco contou que acolheu uma psiquiatra durante a ditadura (1976-1983), quando era membro dos jesuítas e teve que "levar gente escondida para tirá-las do país e salvar suas vidas".

"Durante seis meses, me consultei com ela uma vez por semana", revelou o papa. "Isso me ajudou a me posicionar em termos de como lidar com os medos daquela época. Imagine você como era levar uma pessoa escondida no carro e passar por três postos de controle militar na área do Campo de Mayo [maior quartel militar argentino]. A tensão que isso gerava em mim era enorme."

Francisco também falou sobre suas neuroses, as quais descreveu como frutos da ansiedade e da tristeza. "As neuroses devem ser alimentadas com mate. Não apenas isso, deve-se tratá-las com carinho também. São companheiras da pessoa durante toda a sua vida", comentou.