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Conteúdo publicado há
1 mês

Confusão sobre quem representa Mianmar na ONU antes da reunião do Conselho de Segurança

03/03/2021 00h53

Nações Unidas, Estados Unidos, 3 Mar 2021 (AFP) - O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta sexta-feira (2) para falar sobre Mianmar, em um momento em que há confusão sobre quem representa aquele país perante a organização internacional.

De fato, a ONU recebeu duas cartas "contraditórias" sobre quem representa Mianmar após o dramático afastamento entre o embaixador birmanês e a junta militar que deu um golpe de Estado no país em 1º de fevereiro.

Em reunião especial da Assembleia Geral da ONU, o embaixador Kyaw Moe Tun rompeu com os militares em um discurso emocionado pedindo o fim da ditadura.

No dia seguinte, foi destituído pela junta militar, mas na segunda-feira enviou uma carta ao presidente da Assembleia Geral da ONU, com cópia para o secretário-geral da entidade, afirmando que ainda era o representante de seu país.

"Os autores do golpe ilegal contra o governo democrático de Mianmar não têm autoridade para anular a autoridade legítima da presidente do meu país", disse o embaixador nesta carta obtida pela AFP.

"Gostaria, portanto, de confirmar que continuo a ser o representante permanente de Mianmar nas Nações Unidas", acrescentou o diplomata, que recebeu forte apoio dos seus homólogos dos Estados Unidos e da União Europeia.

Mas, nesta terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores de Mianmar enviou uma nota verbal à ONU, também obtida pela AFP, indicando o fim da missão de Kyaw Moe Tun e sua substituição por Tin Maung Naing, até então Embaixador Adjunto.

"Recebemos duas cartas contraditórias e vamos estudá-las, ver de onde vêm e o que vamos fazer", explicou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, em entrevista coletiva.

- "Preocupação profunda" -O Conselho de Segurança da ONU tem na agenda se reunir na sexta-feira para discutir a situação de Mianmar, a pedido do Reino Unido, informaram fontes diplomáticas.

O encontro será a portas fechadas às 15h00 GMT (12h00 de Brasília), conforme proposto por Londres, encarregado pela ONU da crise em Mianmar, onde os militares realizaram um golpe de Estado no dia 1º de fevereiro, indicaram as mesmas fontes.

O Conselho de Segurança já se reuniu um dia após o golpe. Na ocasião, expressou "profunda preocupação" com o que havia acontecido e, em uma primeira declaração, pediu a "libertação de todos os detidos", incluindo da líder civil deposta, Aung San Suu Kyi.

A missão diplomática da China na ONU, tradicionalmente relutante em permitir que o Conselho de Segurança discuta Mianmar, disse à AFP na segunda-feira que houve "um acordo geral entre os membros do Conselho sobre o fato de que em breve haverá uma reunião sobre Mianmar."

As forças de segurança birmanesas dispararam munição real e gás lacrimogêneo contra os manifestantes anti-golpe nesta terça-feira, deixando vários feridos, três gravemente, enquanto aumentava a pressão internacional contra a junta militar pela repressão sangrenta.

Desde o golpe, o país passou por protestos massivos exigindo a libertação de Suu Kyi, aos quais as forças de segurança responderam com uma repressão cada vez mais violenta.

Domingo foi o dia mais sangrento desde o golpe e a ONU informou que pelo menos 18 manifestantes foram mortos em todo o país. A AFP confirmou independentemente 11 mortes.

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