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1 mês

Príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, morre aos 99 anos

09/04/2021 15h04

Londres, 9 Abr 2021 (AFP) - O Reino Unido está de luto. O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II durante mais de sete décadas, que havia passado recentemente por uma cirurgia cardíaca, faleceu nesta sexta-feira (9), dois meses antes de completar 100 anos.

"Sua Alteza Real faleceu em paz esta manhã no castelo de Windsor", afirma um comunicado divulgado pelo Palácio de Buckingham.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, elogiou "a vida e o trabalho extraordinários" do príncipe, liderando a homenagem de toda nação, na qual dos separatistas escoceses, em plena campanha eleitoral, aos unionistas norte-irlandeses, abalados por uma onda de violência, enviaram mensagens de pêsames para a rainha.

Todos os partidos políticos anunciaram a suspensão das campanhas para as legislativas regionais de 6 de maio, e o governo confirmou o cancelamento dos eventos esportivos.

As mensagens de pêsames vieram de todo mundo.

Os reis Felipe VI e Letizia da Espaha mandaram um telegrama à sua "querida tia Lilibet", apelido familiar de Elizabeth, enviando suas "mais sentidas condolências em nome do governo e do povo espanhol".

Já o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, elogiou as "décadas de ação comprometida" de Philip pelo seu país.

- Funeral em tempos de pandemia -A partir das 18h, o sino da Abadia de Westminster tocou a cada minuto, 99 vezes, em homenagem ao falecido, cujo rosto sorridente apareceu na tela gigante da famosa praça Picadilly Circus.

No sábado, o exército vai disparar salvas em sua homenagem em várias instalações militares, incluindo Gibraltar, e o Parlamento britânico retornará das férias de Páscoa na segunda-feira.

Não foi anunciada uma data para o funeral, que será muito prejudicado pelas restrições provocadas pela pandemia de coronavírus. O príncipe Harry, que mora na Califórnia, por exemplo, teria de respeitar uma quarentena de dez dias.

O Palácio de Buckingham anunciará os detalhes em breve, mas a sociedade real College of Armas, encarregada do protocolo, afirmou que não será um funeral de Estado. De acordo com os desejos do duque, a cerimônia será celebrada na capela de São Jorge do Castelo de Windsor e, por conta da pandemia de coronavírus, o público não deve comparecer.

Até o funeral, o país observará um período de luto nacional.

As bandeiras britânicas foram hasteadas a meio mastro, e os britânicos começaram a se reunir diante das residências reais de Buckingham e Windsor.

"É um dia realmente triste", declarou à AFP Sarah Allison, de 31 anos, que foi a Buckingham com a filha de quatro anos. "Ele teve uma vida incrível, é uma grande perda para sua família e sua esposa, eram inseparáveis", comentou.

"Com sua idade e os recentes problemas de saúde não foi uma grande surpresa, mas é um destes momentos em que vamos olhar para trás e afirmar que foi um acontecimento importante", disse Chris Green, de 57 anos.

- Tempos conturbados para a monarquia -Philip, que em 10 de junho completaria 100 anos, foi visto pela última vez em 16 de março, quando saiu em um veículo do hospital King Edward VII de Londres, onde havia sido internado um mês antes.

Do hospital, ele retornou para Windsor, quase 50 km a oeste de Londres, onde ele e a rainha, de 94 anos, permaneceram confinados desde o início da pandemia de coronavírus há mais de um ano.

Há vários anos, os dois não passavam tanto tempo juntos, pois ele permanecia grande parte do tempo na residência real de Sandringham, e a rainha, em Buckingham, ou Windsor.

Depois de ser hospitalizado em 16 de fevereiro, por "medida de precaução" depois de passar mal, a Casa Real informou que sua internação não tinha relação com a covid-19, da qual havia sido vacinado ao lado da rainha, e sim com uma infecção.

No início de março, foi transferido do pequeno e elegante King Edward VII para o grande hospital público St. Bartholomew, onde foi submetido "com sucesso" a uma cirurgia "para tratar uma doença cardíaca preexistente".

A morte poucas semanas depois de receber alta é um novo revés para a família real britânica. Trata-se de um momento conturbado para a monarquia, abalada por uma de suas maiores crises institucionais após a explosiva entrevista concedida pelo príncipe Harry e sua esposa, Meghan, no mês passado, à apresentadora de televisão americana Oprah Winfrey.

Na entrevista, Harry, 36 anos, e Meghan, 38, afirmaram, entre outras coisas, que um membro da família real demonstrou "preocupação" com a cor da pele que seus filhos teriam.

Pouco depois, Harry afirmou que a pessoa que fez a declaração não foi sua avó, a rainha, nem o avô, Philip, conhecido por diversas gafes e piadas de mau gosto, assim como pelo forte temperamento e franqueza.

- 70 anos casados -Nascido príncipe da Grécia e da Dinamarca em 10 de junho de 1921, ao casar com Elizabeth ele renunciou à carreira militar e se submeteu ao estrito protocolo ligado à função.

Em 2009, Philip bateu o recorde de longevidade dos consortes dos monarcas britânicos, até então pertencente à Charlotte, a esposa de George III.

Depois de participar de mais de 22.000 compromissos oficiais desde que sua esposa chegou ao trono em 1952, o duque se aposentou da atividade pública em agosto de 2017.

Desde então, foi hospitalizado diversas vezes, a penúltima em dezembro de 2019.

Em janeiro daquele ano, sofreu um grave acidente de carro quando seu Land Rover bateu em outro veículo nas proximidades da residência de Sandringham e capotou. Após o incidente, ele parou de dirigir.

A vida de Philip foi devastada quando ele tinha apenas 18 meses: seu tio, rei da Grécia, foi obrigado a abdicar e seu pai foi desterrado depois da guerra entre Grécia e Turquia.

Seus pais, assim como ele e as quatro irmãs, fugiram a bordo de um navio das Forças Armadas britânicas.

Foi enviado para um internato na Escócia e, a partir de 1939, estudou na Escola Naval de Dartmouth, sul da Inglaterra.

Na época, Philip conheceu a princesa Elizabeth, com quem se casou em 20 de novembro de 1947. O casal teve quatro filhos (Charles, Anne, Andrew e Edward).

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