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1 mês

Partido no poder reconhece vitória de opositora nas presidenciais em Honduras

30/11/2021 21h23

Tegucigalpa, 1 dez 2021 (AFP) - O governista Partido Nacional (PN) reconheceu nesta terça-feira (30) sua derrota em Honduras e saudou a vitória nas eleições presidenciais de domingo da esquerdista Xiomara Castro, que tem quase 20 pontos de vantagem sobre Nasry Asfura, após a apuração de mais da metade dos votos.

Xiomara, do partido Liberdade e Refundação (Libre), soma 53,49% dos votos e se tornará a primeira mulher a governar Honduras. Em segundo lugar, mas longe de Xiomara, está Asfura, do Partido Nacional, com 33,98%, com 52,07% das urnas apuradas.

"Hoje, podem ver o clima de paz e tranquilidade que há no país, embora o Partido Nacional não tenha sido eleito ao comando do governo", disse o secretário do Comitê Central desta legenda, Kilvett Bertrand, à Radio América.

A apuração avança com lentidão porque as atas que precisam ser incluídas no sistema chegam de forma física, enquanto a primeira metade do total chegou em formato digital, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Xiomara é esposa do ex-presidente Manuel Zelaya (2006-2009), que foi deposto por uma aliança cívico-militar de direita que rejeitava sua aproximação com a Venezuela de Hugo Chávez, e chegou a se refugiar por quatro meses, entre 2009 e 2010, na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

A candidata, no entanto, prometeu realizar "um governo de reconciliação". Sua chegada ao poder colocará fim a uma hegemonia de 12 anos do Partido Nacional e substituirá Juan Orlando Hernández, que termina seu segundo mandato em meio a denúncias de narcotráfico nos Estados Unidos.

"Nasry Asfura já se encontrou com Xiomara, e ele já a reconheceu, isso já é público", disse Zelaya a jornalistas, segundo o site do jornal El Heraldo.

"Desejamos o melhor sucesso àqueles que venceram as eleições", acrescentou Bertrand em seus comentários. Ele disse que "com a cabeça para a frente e erguida" o direitista PN continuará a "trabalhar muito na oposição, para zelar pela democracia" do país.

Nas próximas horas, o candidato derrotado, Asfura, também prefeito de Tegucigalpa, deve falar, de acordo com Bertrand.

- Violência e politização -Para a missão de observação da União Europeia, as eleições ocorreram de forma tranquila, apesar dos receios anteriores de possíveis confrontos, tendo em vista a possibilidade de uma das partes rejeitar os resultados.

"O dia da votação transcorreu calmamente. Os eleitores compareceram em grande número, mostrando um forte compromisso com a democracia", indicou a missão em seu relatório.

No entanto, as eleições foram caracterizadas "por uma gestão altamente politizada, níveis sem precedentes de violência política e o evidente abuso de recursos do Estado durante a campanha", segundo Zeljana Zovko, líder da missão.

Ela lembrou que "pelo menos seis prefeitos, candidatos e ativistas foram assassinados nas semanas que antecederam as eleições". "A distribuição de títulos de ajuda social do Estado aumentou durante a campanha, assim como a pressão dos governantes sobre os funcionários públicos para que fossem às manifestações" do partido no poder, apontou.

A UE, que tinha 78 observadores no local, concluiu que a mídia estatal favorecia abertamente o candidato do governo, enquanto eram evidentes nas redes sociais a desinformação e o conteúdo violento sobre os candidatos.

Nestas eleições gerais, o Libre também conseguiu eleger os prefeitos das duas maiores cidades do país, a capital Tegucigalpa e San Pedro Sula. Os candidatos governistas nessas cidades também já reconheceram suas derrotas.

Ainda falta definir a distribuição do Parlamento, com 128 deputados, mas as projeções indicam que o Libre terá a maioria.

- "Cuidado" -Os Estados Unidos já anunciaram que "esperam trabalhar" com o novo governo. "A principal candidata neste momento expressou seu compromisso de combater a corrupção, abordar as causas e motores da migração e promover empregos e mais renda no país", disse Brian Nichols, subsecretário de Estado para as Américas, durante uma audiência do Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Castro foi ainda parabenizada por Cuba, Venezuela e Nicarágua. Ela, que promove um "socialismo democrático", costuma ser chamada de "comunista" por seus adversários.

"Cuidado, se trilham um caminho diferente da democracia, cuidado, se vão para o lado errado. Cuidado, se começam a flertar com outras ideologias. O Partido Nacional garantirá que Honduras tenha eleições a cada quatro anos", declarou Bertrand.

"Não pensem que o Partido Nacional está em baixa", acrescentou, especificando que terão pelo menos 45 parlamentares para fazer contrapeso durante o período 2022-2026.

Apesar dos temores, o Conselho Hondurenho de Empresa Privada (Cohep) parabenizou Castro e se ofereceu para trabalhar com ela. O próprio Cohep anunciou uma reunião com Castro para discutir "o desenvolvimento econômico, energético e social do país".

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