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1 mês

Para o papa, a 'reputação' do arcebispo de Paris estava comprometida

06/12/2021 15h21

A bordo del avión papal, Italia, 6 dez 2021 (AFP) - O papa Francisco considera que o arcebispo de Paris, Michel Aupetit, que renunciou ao cargo na semana passada, "não poderia continuar governando" a igreja de sua cidade porque "sua reputação foi afetada" pelas "fofocas", explicou nesta segunda-feira (6) no voo de retorno da Grécia.

"Quando as fofocas crescem cada vez mais e afetam a reputação de uma pessoa, essa pessoa não pode continuar governando (...). Isso é uma injustiça. Por isso aceitei a demissão do bispo Aupetit, não sobre o altar da verdade e sim sobre o da hipocrisia", afirmou o papa ao grupo de jornalistas que o acompanharam em sua viagem de cinco dias a Chipre e Grécia.

O papa aceitou a renúncia do prelado, depois que foi acusado de manter um comportamento "ambíguo" com uma mulher em 2012, com a qual foi atribuída uma relação.

Segundo o semanário francês Le Point, o arcebispo teve naquele ano uma relação íntima e consentida com uma mulher, com base em um e-mail que teria sido enviado por engano e que não deixava dúvidas.

"Admito que meu comportamento com ela pode ter sido ambíguo, dando a entender a existência de uma relação íntima e de relações sexuais entre nós, o que nego energicamente", declarou Aupetit ao Le Point.

A demissão "não é uma confissão de culpa, é um gesto de humildade", explicou a diocese de Paris.

A renúncia ocorreu em meio ao escândalo na igreja católica na França, depois que uma comissão independente estimou em outubro que padres e religiosos abusaram de cerca de 216.000 menores nesse país entre 1950 e 2020.

O papa pediu cautela para "interpretar" o relatório francês, coordenado por Jean Marc Sauvé e fruto de dois anos e meio de trabalho, o qual analisa a pedofilia na igreja francesa nos últimos 70 anos.

"Quando este tipo de estudo é feito, precisamos estar atentos à interpretação que fazemos", disse o papa aos jornalistas, referindo-se ao contexto em que esses fatos aconteceram.

"O abuso de 100 anos atrás, de 70 anos, era uma brutalidade. Mas a forma em que se viveu não é a mesma de hoje em dia", acrescentou.

"Por exemplo, nos casos de abuso na igreja, a atitude foi a de silenciar o caso. Uma atitude que infelizmente ainda existe em um grande número de famílias", explicou.

É uma "situação histórica que deve ser interpretada com a hermenêutica da época, não com a nossa", destacou o papa.

O pontífice admitiu que ainda "não leu o relatório e também não ouviu os comentários dos bispos franceses".

bur-kv/mb/aa