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Polônia constrói nova barreira na fronteira com Belarus

25/01/2022 11h58

Varsóvia, 25 Jan 2022 (AFP) - A Polônia iniciou nesta terça-feira (25) a construção de uma nova cerca na fronteira com Belarus para impedir a chegada de migrantes ilegais, após a crise entre Varsóvia e Minsk no ano passado.

"A obra foi entregue nesta terça-feira a quem a realizará", disse à AFP uma porta-voz da Guarda Fronteiriça, a capitã Krystyna Jakimik-Jarosz.

A responsável não detalhou onde a barreira será construída. "É o que os serviços bielorrussos querem para enviar grupos de migrantes, portanto por razões de segurança não informamos o local preciso", acrescentou.

Com 186 quilômetros de comprimento, quase metade do tamanho total da fronteira de 418 quilômetros, a barreira metálica de cinco metros e meio de altura custará cerca de 353 milhões de euros (407 milhões de dólares) e deve ser concluída em junho.

"A cerca provisória (de arame) nos ajudou muito porque enquanto um grupo de migrantes se preparava para abrir caminho, tínhamos tempo para mobilizar efetivos para impedir", acrescentou Jakimik-Jarosz.

O projeto gera preocupação entre os defensores dos direitos humanos e os ativistas ambientalistas. Os primeiros temem que os migrantes que fogem de situações de conflito não poderão apresentar pedidos de asilo. Os segundos acreditam que terá efeitos nefastos para a fauna e a flora das florestas dessa área fronteiriça.

"Faremos de tudo para que os danos ambientais sejam mínimos", garantiu a porta-voz.

A União Europeia (UE) forneceu seu apoio à Polônia e criticou energicamente Belarus.

Por sua vez, o governo polonês rejeitou a proposta de Bruxelas de participação da agência europeia do Frontex na vigilância da fronteira. Além disso, votou uma lei que permite expulsar os migrantes ilegais sem esperar que apresentem sua solicitação de asilo.

Milhares de migrantes, procedentes do Oriente Médio, principalmente do Curdistão iraquiano, Síria, Líbano e Afeganistão, tentaram no ano passado cruzar a fronteira polonesa para entrar no território da UE. Alguns deles conseguiram passar e seguiram seu percurso.

Polônia e os países ocidentais acusam o governo bielorrusso de incentivar, inclusive de planejar e ajudar, este fluxo de migrantes, prometendo a eles um acesso fácil à UE.

O governo do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko rejeita essas acusações e critica a Polônia por tratamento desumano aos migrantes.

Essas medidas de bloqueio, além da morte por frio e fome de uma dezena de migrantes nas florestas polonesas, provocaram um debate intenso na Polônia entre os defensores da fronteira nacional, que também é um dos limites da UE, e os defensores dos direitos humanos. Esses últimos exigem que os migrantes tenham a opção de solicitar o asilo e que não sejam expulsos enquanto o pedido está sendo analisado.

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