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Alemanha pede à Rússia sinais imediatos de desescalada na Ucrânia

Chanceler alemão Olaf Scholz pediu à Rússia "sinais imediatos de de desescalada" na crise com a Ucrânia, antes de viajar a Kiev e Moscou - Tobias Schawrz/Pool/AFP
Chanceler alemão Olaf Scholz pediu à Rússia "sinais imediatos de de desescalada" na crise com a Ucrânia, antes de viajar a Kiev e Moscou Imagem: Tobias Schawrz/Pool/AFP

14/02/2022 06h02Atualizada em 14/02/2022 09h07

O chanceler alemão, Olaf Scholz, pediu nesta segunda-feira (14) à Rússia "sinais imediatos de desescalada" na crise com a Ucrânia, antes de viajar a Kiev e depois a Moscou, em um momento em que a diplomacia parece não apresentar resultados na crise entre o Kremlin e os países ocidentais, que atingiu um nível sem precedentes desde a Guerra Fria.

"Esperamos de Moscou sinais imediatos de desescalada (...) Uma nova agressão militar teria duras consequências para a Rússia", afirmou no Twitter.

Scholz classificou a situação como "muito, muito grave".

Com as viagens a Kiev e Moscou, Scholz pisa no acelerador diplomático, como fez na semana passada o presidente francês Emmanuel Macron.

A Alemanha, com frequência acusada de complacência com a Rússia por seus interesses econômicos, endureceu o tom nos últimos dias.

"Estamos diante do risco de um conflito militar, de uma guerra, no leste da Europa, e a Rússia é responsável", afirmou o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Uma fonte do governo da Alemanha disse que a situação atual é "crítica e muito perigosa".

O governo dos Estados Unidos insiste que a Rússia pode iniciar uma invasão militar "a qualquer momento" e pediu a seus cidadãos que deixem a Ucrânia, um gesto imitado por outros países.

Última oportunidade

A viagem de Scholz a Moscou é "provavelmente a última oportunidade de conseguir a paz", afirmou no domingo o embaixador da Ucrânia na Alemanha, Andrii Melnik, ao canal germânico Bild TV.

"Temos a sensação de que a guerra é algo cada dia mais inevitável, temos que nos preparar para o pior", disse.

A Rússia, que anexou a península da Crimeia em 2014 e apoia os separatistas armados pró-Moscou no leste da Ucrânia, nega qualquer intenção de invadir o país vizinho, mas vincula a desescalada a uma série de exigências, começando pela garantia de que a Otan não admitirá a Ucrânia como membro, algo que os países ocidentais consideram inaceitável.

Nesta segunda-feira, os ministros das Finanças do G7 afirmaram que estão dispostos a impor "em um prazo muito curto" sanções "com consequências importantes e imediatas para a economia russa", em caso de agressão militar contra a Ucrânia.

"Nossa prioridade imediata é apoiar os esforços destinados a fazer a situação avançar", afirmam os ministros do Reino Unido, Estados Unidos, França, Canadá, Alemanha, Itália e Japão em um comunicado.

"Mas qualquer agressão militar da Rússia contra a Ucrânia merecerá uma resposta rápida e eficaz", garante o G7, presidido atualmente pela Alemanha.

A respeito das possíveis sanções e para desagrado da Alemanha, as autoridades do Estados Unidos já mencionaram o futuro do gasoduto Nord Stream 2, construído para transportar gás russo até o território alemão, evitando a Ucrânia.

A Alemanha também foi criticada por sua recusa a fornecer armas à Ucrânia.

"Peço oficialmente a nossos aliados que se expliquem para saber de que lado estão: da Ucrânia, que se defende, ou do lado do agressor", afirmou o prefeito de Kiev e ex-campeão de boxe, Vitali Klitschko, na semana passada em uma entrevista à AFP.

Mais de 100.000 militares russos estão na fronteira com a Ucrânia e milhares participam em manobras militares em Belarus e no Mar Negro.

Convite a Biden

Em uma conversa por telefone no domingo à noite, o presidente americano Joe Biden e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky "concordaram com a importância de prosseguir na via da diplomacia e da dissuasão".

A presidência ucraniana acrescentou que Zelensky fez um apelo para que Biden visite Kiev "nos próximos dias", uma viagem que seria um "sinal de grande peso e contribuiria para estabilizar a situação".

O primeiro-britânico, Boris Johnson, também viajará ao norte da Europa, aos países bálticos, durante a semana para prosseguir com a atividade diplomática.

A Ucrânia exigiu ainda uma reunião urgente com a Rússia e os 57 países membros da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).

Kiev acusa Moscou de não respeitar as regras da OSCE ao não compartilhar informações sobre as movimentações de tropas nas fronteiras.

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, afirmou que a Rússia ignorou uma exigência de Kiev sobre o Documento de Viena, um texto da OSCE que promove medidas de transparência entre as Forças Armadas dos países membros da organização.

"Passamos à próxima etapa. A Ucrânia convoca uma reunião com a Rússia e todos os Estados membros (da OSCE) em 48 horas para discutir a intensificação e os deslocamentos de tropas russas ao longo de nossa fronteira e na Crimeia ocupada", anunciou Kuleba.

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