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Cuba substitui sentenças de 12 presos por manifestações de julho de 2021

Centenas de pessoas foram detidas durante o protesto em Cuba em 11 de julho de 2021 - Getty Images
Centenas de pessoas foram detidas durante o protesto em Cuba em 11 de julho de 2021 Imagem: Getty Images

26/05/2022 19h15Atualizada em 26/05/2022 19h26

Havana, 26 Maio 2022 (AFP) - Ao menos 12 presos pelas manifestações históricas de julho de 2021 em Cuba tiveram suas penas comutadas para o regime aberto, depois que recorreram de suas sentenças, informaram organizações de defesa dos direitos humanos nesta quinta-feira (26).

"Nos últimos dias, ocorreram solturas em relação aos termos de sanções dos julgamentos sumários e com mudanças nas sanções durante os julgamentos de apelação/cassação", escreveu no Facebook o grupo de defesa de presos políticos Justicia 11J, que esclareceu que ainda espera que a informação seja divulgada de maneira oficial.

Continuam presas um total de 730 pessoas devido às manifestações de 11 e 12 de julho, segundo essa organização, que confirmou a liberação de 11 réus com entre 18 e 36 anos, quatro deles menores de 20 anos, que foram soltos na semana passada.

Além disso, a ONG de defesa dos direitos humanos Cubalex, com sede em Miami (EUA), reportou a libertação de Andy García, um jovem modelo detido na cidade de Villa Clara (centro), cuja família tem sido alvo de eventos de repúdio em seu domicílio e de prisões temporárias pelas ações que realizaram para conseguir sua libertação.

"Andy García preso de #11J [manifestações de julho] foi liberado. Ficará com sua família até que seja transferido para uma instituição de regime aberto, onde deverá cumprir o resto de sua pena", escreveu a Cubalex em um tweet.

De acordo com a última recontagem dessa ONG, as manifestações de julho de 2021 terminaram com o saldo de uma morte, dezenas de feridos e 1.395 presos.

Para a ativista Martha Beatriz Roque, no entanto, essas libertações são "fictícias".

"Não quer dizer que não continuem presos, porque estão tão presos na prisão como na correcional, com a diferença de que a correcional é uma prisão aberta" e podem ir para casa dormir, disse Roque à AFP.

Essas medidas se dão pouco antes dos julgamentos dos artistas Luis Manuel Otero Alcántara e Maykel "Osorbo" Castillo, nos dias 30 e 31 de maio, em um tribunal de Havana.

A promotoria pediu sete anos para Otero Alcántara, um artista performático e pintor de 34 anos, acusado de incitação ao crime, desacato com agravante e desordem pública, crimes que teriam sido cometidos antes de 11 de julho, segundo as autoridades.

Também solicitou 10 anos de prisão para o rapper Osorbo, de 39 anos, preso desde 18 de maio de 2021 e acusado de atentado, desordem pública e de colaborar para a fuga de presos ou detidos.

O rapper é um dos autores e intérpretes de "Patria y Vida", tema que se transformou na trilha sonora dos protestos e ganhou o Grammy Latino.

Por sua vez, a embaixada de Estados Unidos pediu hoje que o julgamento seja interrompido. "Façam o correto, interrompam o julgamento e libertem-no já", escreveu em um tweet.

"No século XXI, nenhum cubano deveria ter que ouvir a música que gosta em sigilo", acrescentou a embaixada.

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