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1 mês

Boris Johnson quer "continuar" apesar das demissões em seu governo

06/07/2022 13h40

Londres, 6 Jul 2022 (AFP) - O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou nesta quarta-feira que pretende permanecer no cargo, apesar das dificuldades. O político ficou ainda mais enfraquecido após os pedidos de demissão de 30 integrantes de seu governo, em um contexto de crescentes escândalos.

Na sessão semanal de perguntas no Parlamento, ele fez uma defesa caótica de suas conquistas desde que assumiu o posto de chefe de Governo e citou os problemas que ainda deseja solucionar, como a crise do custo de vida no Reino Unido.

"O trabalho de um primeiro-ministro em circunstâncias difíceis, quando você recebeu um mandato colossal, é continuar e é isto que vou fazer", disse Johnson.

O líder da oposição, o trabalhista Keir Starmer, o acusou de apresentar um "espetáculo patético no último ato de sua carreira política".

Segundo informações da BBC, Sky News e outros veículos, uma delegação de ministros, incluindo pesos pesados como o novo ministro das Finanças, Nadhim Zahawi, foi até Downing Street dizer a Johnson que ele deve renunciar.

Na terça-feira à noite, os ministros da Saúde, Sajid Javid, e das Finanças, Rishi Sunak, anunciaram quase ao mesmo tempo os respectivos pedidos de demissão. Eles foram seguidos por 27 integrantes do governo, de menor escalão, em uma sangria que prosseguiu nesta quarta-feira com secretários de Estado.

"De boa fé, devemos pedir a você, para o bem do partido e do país, que se afaste", escreveram cinco deles em uma carta conjunta de renúncia.

Outros membros do Executivo, fiéis a Johnson, defenderam o balanço político do líder conservador que, durante aparição em uma comissão formada pelos presidentes das diferentes comissões parlamentares, descartou convocar eleições antecipadas.

"Eu realmente não acho que ninguém neste país queira que os políticos se dediquem a fazer campanha eleitoral agora. E acredito que precisamos continuar a servir nossos eleitores e cuidar das questões que importam para eles", afirmou.

- "Integridade" do governo -As renúncias de Javid e Sunak, dois pesos pesados do governo e do partido, aconteceram poucas horas depois de Johnson apresentar desculpas pela enésima vez, ao admitir que cometeu um "erro" por ter nomeado para um cargo parlamentar importante Chris Pincher, um conservador que renunciou na semana passada e reconheceu que apalpou, quando estava embriagado, dois homens, incluindo um deputado, em um clube privado do centro de Londres.

Depois de afirmar o contrário em um primeiro momento, Downing Street reconheceu na terça-feira que o primeiro-ministro havia sido informado em 2019 sobre acusações anteriores contra Pincher, mas havia "esquecido".

Os britânicos esperam que o governo se comporte de maneira "competente e séria, e é por isto que peço demissão", escreveu Sunak em sua mensagem a Johnson.

Javid, de 52 anos e de origem paquistanesa, afirmou que os britânicos precisam de "integridade por parte de seu governo".

Segundo uma pesquisa realizada na quarta-feira pelo gabinete Savanta ComRes, três em cada cinco eleitores conservadores consideram que Johson não consegue recuperar a confiança da opinião pública. 72% acham que o primeiro-ministro deveria renunciar.

- Manobra contra Johnson -Johnson está envolvido em polêmicas desde o "partygate", o escândalo das festas em Downing Street durante as restrições sanitárias, ao financiamento irregular da reforma da residência oficial.

Grande vencedor das legislativas de dezembro de 2019, quando conseguiu a maioria conservadora mais importante em décadas com a promessa de concretizar o Brexit, o primeiro-ministro perdeu grande parte da popularidade.

As pesquisas mostram que a maioria dos britânicos o considera um "mentiroso".

Johnson será investigado por uma comissão parlamentar para determinar se enganou de maneira consciente os deputados quando, em dezembro, negou as festas que foram organizadas durante os confinamentos.

E o fato de ter afirmado que não sabia das acusações contra Pincher quando muitos alegaram o contrário e de ter reconhecido o "esquecimento" reforça as acusações de que o primeiro-ministro brinca com a verdade.

Derrotas eleitorais recentes, como a de 23 de junho em duas legislativas parciais, estão convencendo um número crescente de rebeldes dentro do Partido Conservador de que Johnson não pode mais liderar o partido nas eleições gerais previstas para 2024.

O primeiro-ministro sobreviveu no início de junho a um voto de desconfiança, uma iniciativa de rebeldes do partido para tentar afastá-lo do poder.

Apoiado por 211 dos 359 deputados conservadores, Johnson conseguiu permanecer no cargo, mas os 148 votos contra ele deixaram evidente o descontentamento interno.

As regras do partido estabelecem que este procedimento não pode ser repetido durante 12 meses, mas muitos conservadores querem uma mudança para voltar a tentar a manobra contra Johnson.

acc/zm/fp/ap